COMBATE AO PRECONCEITO

Polícia Civil finaliza apuração de racismo contra menino vendedor

Menino vendedor de paçocas, vítima de injúria racial por adolescentes em Mossoró.
Imagem ilustrativa do caso de injúria racial em Mossoró.

Inquérito da Polícia Civil aponta três adolescentes por ofensa racial a menino de 10 anos. Apuração avança para a Justiça.

A Polícia Civil do Rio Grande do Norte concluiu nesta quarta-feira, 13 de maio de 2026, a investigação de injúria racial contra um menino de 10 anos, que vendia paçocas em um semáforo no bairro Nova Betânia, em Mossoró. Três adolescentes foram identificados como responsáveis pelo ato repugnante de simular compra, derrubar produtos e proferir ofensas. Este avanço na apuração do caso representa um passo crucial na defesa da dignidade da criança e no combate à discriminação, enviando uma mensagem clara de que atos de preconceito não serão tolerados.

O lamentável episódio que deu origem à investigação ocorreu no sábado, 9 de maio de 2026, e ganhou grande repercussão após um vídeo ser amplamente compartilhado nas redes sociais. As imagens mostram um dos adolescentes simulando interesse em adquirir as paçocas do menino, estendendo a mão para pegá-las sem efetuar o pagamento e, deliberadamente, fazendo com que várias delas caíssem ao chão. Durante a gravação, são claramente audíveis as ofensas raciais direcionadas à criança, evidenciando o caráter cruel da agressão.

Conforme informações da Polícia Civil, dois dos adolescentes envolvidos já prestaram depoimento na Delegacia Especializada de Atendimento ao Adolescente Infrator (DEA). O terceiro jovem, que segundo a investigação não proferiu as ofensas, está previsto para ser ouvido nos próximos dias, completando a fase de oitivas dos implicados.

O delegado Rafael Arraes, responsável pelo caso, revelou que os adolescentes confessaram ter tido um desentendimento prévio com o menino em uma lanchonete. Em uma atitude de retaliação e crueldade, decidiram gravar toda a ação para humilhá-lo e expô-lo nas redes sociais.

“Eles chegaram na lanchonete, tiveram um pequeno desentendimento com a criança e, para revidar, fizeram toda essa situação, filmaram e publicaram nas redes sociais. É um fato repugnante”, reiterou o delegado, enfatizando a gravidade do ocorrido e o impacto na vítima.

A mãe do menino, ao tomar conhecimento do vídeo que expunha a humilhação do filho, registrou prontamente um boletim de ocorrência, buscando justiça. O Ministério Público do Rio Grande do Norte também se manifestou, garantindo que acompanha de perto o desenvolvimento do caso, reforçando o amparo institucional à vítima.

Para além do crime de injúria racial, a Polícia Civil aprofunda a apuração sobre outro aspecto grave: um dos adolescentes, de 17 anos, dirigia o veículo sem a devida Carteira Nacional de Habilitação (CNH). O delegado salientou que a responsabilidade do pai do jovem também será investigada, em virtude de uma possível autorização para a condução irregular do automóvel, configurando um risco à segurança pública.

A vertente do caso referente à direção sem habilitação será desmembrada e encaminhada a outra delegacia, especializada na apuração de crimes de trânsito, garantindo a investigação adequada desta infração específica.

Paralelamente, a delicada situação do menino trabalhando em um semáforo será objeto de análise pelas autoridades competentes. O caso será encaminhado ao Conselho Tutelar, que atuará para assegurar a proteção integral da criança e avaliar as condições que a levaram a essa atividade, visando seu bem-estar e desenvolvimento.

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