VERBAS PÚBLICAS EM RISCO
Polícia Civil de SP investiga Renapsi por lavagem de dinheiro
Contrato milionário com Governo do TO para Jovem Trabalhador sob suspeita. Fundador da empresa foi preso no fim de abril.
A Polícia Civil de São Paulo intensifica a investigação sobre contratos da Rede Nacional de Aprendizagem, Promoção Social e Integração (Renapsi) com o setor público, nesta quarta-feira, 13 de maio de 2026. A apuração visa esclarecer a suspeita de lavagem de dinheiro para o PCC, envolvendo repasses de verbas públicas. O caso já resultou na prisão do fundador da entidade, Adair de Freitas Meira, no fim de abril em Goiânia. Esta investigação levanta sérias preocupações sobre a integridade de programas sociais e o destino do dinheiro público, com impacto direto em um contrato milionário que a Renapsi mantém com o governo do Tocantins para o programa Jovem Trabalhador, onde os salários de cerca de 1.500 aprendizes já foram motivo de apreensão.
O empresário Adair de Freitas Meira, fundador da Renapsi e residente em Goiás, foi detido no fim de abril em Goiânia. Ele é alvo da investigação por suspeita de lavar aproximadamente R$ 30 milhões para o PCC. Segundo as apurações, o esquema envolvia a utilização de repasses da Renapsi e de outras companhias vinculadas a ele.
Apesar das graves acusações, a Renapsi mantém um contrato robusto com o governo do Tocantins. Auditorias e sindicâncias já apontavam irregularidades envolvendo a instituição desde 2021, mas o governo formalizou, em julho de 2022, um contrato que ultrapassa R$ 107 milhões com a entidade.
Este vínculo milionário chegou a ser suspenso pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE) e por auditorias internas do próprio governo, frente às suspeitas de pagamentos a jovens "fantasmas". Contudo, a decisão de manter o contrato foi motivada pela necessidade de assegurar o salário de aproximadamente 1.500 jovens aprendizes, um alívio crucial para essas famílias.
Em nota oficial, o governo do Tocantins, através da Secretaria Estadual do Trabalho e Desenvolvimento Social (Setas), esclareceu que o programa Jovem Trabalhador não figura como alvo direto da investigação. A pasta enfatizou que os contratos cumprem rigorosamente os critérios legais e contam com o respaldo do Ministério Público Estadual. A Setas reforçou que a investigação da Polícia Civil de São Paulo não possui ligação com os contratos estaduais e que a secretaria não detém a atribuição de monitorar movimentações financeiras de indivíduos ou entidades.
Detalhes da investigação revelam que Adair de Freitas Meira teria ordenado transferências milionárias da Renapsi para a fintech Forte Bank. A polícia aponta o banco digital como um braço financeiro utilizado pelo PCC e era supostamente comandado por João Gabriel Iaoamaki, identificado como o principal operador do complexo esquema criminoso.
A Forte Bank mantinha um endereço de fachada em uma sala comercial na movimentada Avenida Teotônio Segurado, em Palmas. O delegado Fabrício Intelizano, à frente da investigação em São Paulo, declarou que este local servia como base operacional para movimentar grandes volumes financeiros "por baixo do radar". João Gabriel Iaoamaki foi detido no Tocantins em março, durante uma operação de grande envergadura que resultou na apreensão de meia tonelada de cocaína, sendo posteriormente transferido para São Paulo em abril.
A defesa de João Gabriel Iaoamaki sustenta a inocência do seu cliente, afirmando que ele nunca integrou qualquer organização criminosa. O advogado ressaltou que a operação em questão não possui relação com o governo do Tocantins e que as investigações ainda se encontram em fase inicial. A equipe jurídica informou que só se manifestará de forma mais aprofundada após a apresentação de uma denúncia formal.
Como medida preventiva, a Polícia Civil de São Paulo anunciou que deve oficiar proativamente estados e prefeituras que mantêm contratos com a Renapsi. O objetivo é evitar novos repasses de verbas públicas enquanto a delicada investigação avança e os fatos são devidamente esclarecidos, protegendo o erário.
A reportagem da TV Anhanguera tentou, mas não conseguiu contato com a defesa da Forte Bank até o fechamento desta edição.
Em comunicado, a defesa de Adair de Freitas Meira refuta veementemente qualquer associação do empresário com organizações criminosas ou a prática de atos ilícitos. A nota declara que as acusações sobre saques e transferências não se apoiam em fatos concretos e enfatiza que Adair não ocupa cargo ou mandato na Renapsi atualmente. Seus advogados informaram que ele já manifestou total interesse em prestar todos os esclarecimentos necessários à polícia, reiterando sua confiança na Justiça.
Por sua vez, a Renapsi, em nota oficial, afirmou que não é alvo direto da investigação e que Adair de Freitas Meira não integra seus conselhos nem possui qualquer cargo na instituição. A entidade reafirmou seu compromisso inabalável com a transparência e informou que já implementou medidas internas para uma apuração rigorosa dos fatos. A Renapsi concluiu a nota destacando sua dedicação contínua à inclusão e ao desenvolvimento de jovens em todo o país.
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