VULNERABILIDADE DIGITAL EXPOSTA
Polícia Civil de São Paulo desarticula esquema milionário de hacker
Hacker vendia dados sigilosos de governos e tribunais na deep web; acusado responde em liberdade com tornozeleira eletrônica.
A Polícia Civil de São Paulo deflagrou nesta quinta-feira, 7 de maio de 2026, uma operação que revelou um complexo esquema de venda de acesso a sistemas governamentais e informações sigilosas. A ação mirou Leonardo do Carmo da Silveira Costa, um profissional de tecnologia da informação (TI) de 46 anos, apontado como um hacker especializado. Ele foi alvo de medidas cautelares e teve seu data center revistado em Belo Horizonte, Minas Gerais, por comercializar dados que comprometem a segurança institucional e a privacidade de milhões de cidadãos.
O extenso portfólio de Leonardo era oferecido a clientes na internet profunda, conhecida como deep ou dark web. Ele supostamente vendia acesso a sistemas da Polícia Civil paulista, da Controladoria Geral do Estado de São Paulo, do governo paulista, da Prefeitura de São Paulo, de Tribunais de Justiça de Goiás e Tocantins, além da Polícia Militar goiana. A investigação pinta um quadro alarmante de vulnerabilidade nos órgãos públicos e do risco inerente à digitalização de informações sensíveis.
Um “supermercado” de dados ilegais
A Polícia Civil paulista revelou que Leonardo do Carmo, com sua experiência profissional iniciada na década de 1990, usava seu conhecimento para invadir sistemas públicos. De lá, ele extraía credenciais de acesso, registros internos e dados pessoais de servidores e autoridades para posterior comercialização. “Ele mantinha uma ‘loja’ na deep e dark web, oferecendo pacotes de produtos, como um supermercado”, descreveu uma fonte ligada ao caso, mantida em sigilo. Os preços variavam de centavos a milhões, dependendo do tipo e volume de dados, com pagamentos realizados em criptomoedas. Uma lista com 10 mil dados de policiais, por exemplo, renderia R$ 10 mil ao hacker. O montante exato do faturamento milionário ainda está sob apuração, mas a prática representa um “risco concreto à segurança da informação institucional”, segundo a Polícia Civil.
Atualmente, Leonardo do Carmo responde ao processo em liberdade, sob rigorosas medidas cautelares. Ele foi obrigado a usar tornozeleira eletrônica, teve o direito de dirigir suspenso e está proibido de deixar o país e de acessar a internet. A defesa do acusado não foi localizada até o fechamento desta reportagem, e o espaço permanece aberto para futuras manifestações. É crucial ressaltar que estas são medidas provisórias; o caso ainda cabe recurso e não há decisão final.
Entenda o modus operandi:
- Exploração de falhas em servidores: Leonardo do Carmo, segundo a polícia, identificava e explorava vulnerabilidades em servidores de TI, usando infraestrutura própria e virtual de terceiros.
- Uso de artefatos maliciosos: Desenvolvia e implantava malwares (softwares maliciosos) equipados com mecanismos de comando e controle.
- Invasões cibernéticas: Realizava invasões para subtrair dados sigilosos, informações pessoais, funcionais e credenciais de acesso de sistemas de órgãos públicos estaduais.
- Comercialização com criminosos: Negociava os dados roubados em fóruns clandestinos da internet, especializados em crimes digitais.
Quem é o hacker
Com uma trajetória em TI desde 1990, Leonardo do Carmo já atuou em desenvolvimento de sistemas, infraestrutura tecnológica, automação, gestão de TI e consultoria em empresas privadas, antes de ser apontado por atividades criminosas. Há também indícios de um possível elo entre ele e Francisco Bruno de Sousa Costa, conhecido como “BRTurbo”. Este último, já detido pela Polícia Federal (PF) por explorar falhas no Departamento de Trânsito do Distrito Federal (Detran/DF), faturando R$ 30 milhões, teria compartilhado conhecimento técnico com Leonardo do Carmo, elevando a complexidade e a periculosidade do esquema.
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