VIOLÊNCIA CONTRA MULHER

Polícia Civil de Roraima investiga primeiro-sargento do Exército por violência doméstica

Fachada da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher em Roraima
Caso é investigado pela Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) de Roraima. — Foto: Polícia Civil/Divulgação/Arquivo

Investigação aponta episódios de agressão física, psicológica e abandono material contra a esposa e a filha; medida protetiva foi solicitada à Justiça.

A Polícia Civil de Roraima iniciou um inquérito para apurar denúncias de violência física e psicológica contra um primeiro-sargento do Exército, de 43 anos, que teria agredido sua esposa, de 33 anos, e a filha, de um ano. A investigação, conduzida pela Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) de Boa Vista, foi formalizada em 6 de julho de 2026, após a vítima romper o silêncio sobre anos de abusos sistemáticos.

Os relatos descrevem um cenário de violência continuada que se estendeu por quase uma década, passando por Boa Vista, Rio de Janeiro e Manaus. A delegada Kássia Poersh classifica o caso como complexo, abrangendo modalidades de violência física, psicológica, sexual, moral e patrimonial, inclusive contra uma vulnerável. Entre os episódios relatados, a vítima aponta que o militar chegou a apertar o pescoço da filha quando ela tinha apenas sete dias de vida.

O impacto dessas agressões na dignidade da vítima foi severo. Segundo o depoimento, a mulher foi submetida a humilhações constantes, incluindo ataques à sua saúde reprodutiva e ao seu desempenho acadêmico em exames da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Além disso, o militar é investigado por abandono material, após cortar o suporte financeiro básico para a criança enquanto mantinha remuneração superior a R$ 10 mil, conforme dados do Portal da Transparência.

A situação culminou em um rompimento definitivo no final de 2025, quando a vítima descobriu que o militar mantinha outra mulher em seu convívio. Após ser ameaçada para deixar o imóvel conjugal, a mulher buscou refúgio em Boa Vista e solicitou medidas protetivas. O pedido da Polícia Civil à Justiça inclui o afastamento do suspeito, a suspensão do porte de arma de fogo e a obrigação de pagamento de pensão alimentícia. Até o dia 10 de julho de 2026, o processo segue em curso e o investigado, ao ser convocado para prestar esclarecimentos, optou pelo direito ao silêncio.

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