GOLPE MILIONÁRIO DESMASCARADO
Polícia Civil de Goiás desmascara golpe do falso advogado no Nordeste
Operação "Falso Defensor" cumpre 14 prisões temporárias e bloqueia R$ 500 mil em bens no Ceará. Prejuízo a uma vítima ultrapassou R$ 452 mil.
Para combater o crescente ‘golpe do falso advogado’ que lesa milhares, a Polícia Civil de Goiás, com apoio do Ministério da Justiça, deflagrou nesta quarta-feira, 29 de abril de 2026, a operação ‘Falso Defensor’. A ação visa desarticular uma organização criminosa especializada, cujas fraudes corroem a dignidade financeira de cidadãos e minam a confiança na justiça.
No total, a operação cumpre 28 medidas cautelares nas cidades cearenses de Fortaleza, Caucaia e Pacatuba. A ofensiva inclui 14 mandados de prisão temporária e 14 mandados de busca e apreensão domiciliar, culminando no sequestro de bens e bloqueio de contas bancárias que totalizam aproximadamente R$ 500 mil, um valor crucial para ressarcir as vítimas.
As investigações revelam que o esquema criminoso operava por meio de aplicativos de mensagens, notadamente o WhatsApp. Os golpistas se passavam por advogados para contatar as vítimas, informando falsamente sobre vitórias em processos judiciais e exigindo o pagamento de supostas taxas – como Imposto de Renda, GRU e IOF – para a liberação de valores que jamais existiram. Para conferir uma falsa aura de legalidade, membros da quadrilha também simulavam ser servidores públicos e falsificavam documentos, enganando ainda mais os lesados.
A apuração inicial partiu de um episódio dramático envolvendo um servidor público em Goiás, que perdeu mais de R$ 452 mil em apenas uma semana. Esse caso exemplar permitiu aos investigadores mapear a complexa estrutura da organização, dividida em três núcleos distintos: um para o contato inicial, simulando a figura do advogado; outro para dar suporte ao golpe, apresentando-se como autoridade pública; e um terceiro exclusivamente dedicado à movimentação financeira dos recursos ilicitamente obtidos.
A inteligência do Ciberlab, laboratório especializado do Ministério da Justiça, forneceu apoio crucial às informações que guiaram a operação.
Os indivíduos detidos agora enfrentam acusações de estelionato, com agravantes por fraude eletrônica, associação criminosa e lavagem de dinheiro. As penas combinadas para esses crimes podem superar 21 anos de reclusão, além de pesadas multas, demonstrando a gravidade das infrações cometidas.
O ‘golpe do falso advogado’ tem proliferado, vitimando milhares de pessoas em todo o Brasil. Sua escalada é alarmante: só no estado de São Paulo, a Ordem dos Advogados do Brasil Seção São Paulo registrou 4.388 denúncias relacionadas a essa modalidade criminosa em pouco mais de um ano e meio, até o mês passado. Esses números evidenciam o impacto devastador nas finanças e na confiança da população.
A mecânica do golpe é traiçoeira: criminosos simulam ser advogados ou membros de escritórios de advocacia e abordam indivíduos com processos judiciais reais em andamento. Armados com dados autênticos – como número do processo, nomes das partes e até imagens dos verdadeiros advogados –, os golpistas então comunicam, de forma enganosa, que houve um desfecho favorável ou a liberação de quantias, criando uma expectativa de ganho que se transforma em perda irreparável.
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