GOVERNO FEDERAL ANUNCIA CRÉDITO
Plano Safra 2026/27 será anunciado com juros menores, mas abaixo do pleiteado pelo setor
Expectativa é de redução de até 1,5 ponto percentual nas taxas de juros do Plano Safra 2026/27, mas abaixo do pleito do setor. Presidente Lula participa de evento da Agricultura Familiar.
Nesta terça-feira, 30/06/2026, o governo federal anuncia o Plano Safra 2026/27 destinado à agricultura empresarial. A cerimônia, marcada para as 10h no Palácio do Planalto, contará com a presença do presidente em exercício, Geraldo Alckmin, e do ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula. Pela primeira vez desde o início de seu mandato, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não participará do lançamento do programa para médios e grandes produtores, pois estará em Assunção, no Paraguai, para a Cúpula do Mercosul.
A expectativa central é a confirmação de uma redução de até 1,5 ponto percentual nas taxas de juros das linhas de crédito rural com recursos controlados. Apesar de representar um alívio, este corte deve ficar aquém do solicitado pelo Ministério da Agricultura e por entidades do setor, que buscavam taxas inferiores a dois dígitos.
Na safra 2025/26, as taxas de juros das linhas controladas oscilaram entre 8,5% e 14% ao ano, com a principal linha de custeio a 14%. A meta da equipe do Ministério da Agricultura era reduzir esse percentual para abaixo de 10%. Contudo, a avaliação da equipe econômica, considerando o cenário fiscal e o custo da equalização dos juros pelo Tesouro Nacional, aponta para uma redução menos expressiva.
O custo da equalização é o principal desafio do governo
O custo da equalização de juros permanece como o principal obstáculo para o governo. Quando os bancos concedem empréstimos a taxas inferiores às de mercado, a União compensa essa diferença às instituições financeiras. Mesmo com a projeção de queda da taxa básica de juros ao longo do ano, o impacto nos gastos públicos é considerado elevado, limitando a capacidade de ampliação dos subsídios.
Outro ponto de atenção é o volume total de recursos que será disponibilizado para financiamentos de custeio, investimento e comercialização. Na safra anterior, o governo anunciou R$ 516,2 bilhões para a agricultura empresarial. Para o ciclo atual, o setor rural defendeu um Plano Safra entre R$ 623 bilhões e R$ 674 bilhões, justificando o aumento dos custos de produção e a maior demanda por crédito. No entanto, a expectativa é que o valor anunciado fique abaixo desse intervalo, em virtude das restrições orçamentárias.
Além das limitações fiscais, o governo pondera o endividamento crescente dos produtores rurais e o aumento nos pedidos de renegociação de dívidas. Este quadro levou a equipe econômica a adotar uma postura mais cautelosa na definição dos recursos e das condições de financiamento para a nova safra.
Entre as novidades esperadas, destacam-se os incentivos contínuos às linhas voltadas para investimentos em sustentabilidade, armazenagem, irrigação, inovação tecnológica e agricultura de baixo carbono. Essas áreas são consideradas estratégicas para aumentar a competitividade do setor e atender às exigências dos mercados internacionais.
Após o anúncio oficial, o Conselho Monetário Nacional (CMN) realizará uma reunião extraordinária para aprovar as resoluções que regulamentam o Plano Safra e viabilizar o início das contratações pelas instituições financeiras e cooperativas de crédito.
Agricultura Familiar
Ainda nesta terça-feira, 30/06/2026, às 18h, o governo lançará o Plano Safra da Agricultura Familiar, com a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O programa para pequenos produtores deve oferecer condições diferenciadas de financiamento e novas medidas de incentivo à produção de alimentos.
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