ATIVISMO FEMININO

PL Mulher e Michelle Bolsonaro Consolidam Rede Conservadora

Michelle Bolsonaro lidera o Projeto Alicerça Brasil, mobilizando mulheres conservadoras em todo o País.
Michelle Bolsonaro, ex-primeira-dama do Brasil, em imagem de divulgação do Projeto Alicerça Brasil.

Projeto Alicerça Brasil, lançado em 2025, alcança 2 mil municípios e todos os estados do País, capacitando mulheres para o debate público e pautas de costumes.

Lançado em 2025 pelo PL Mulher, o Projeto Alicerça Brasil consolidou-se como uma força-chave na política brasileira, mobilizando mulheres conservadoras sob a liderança da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. A iniciativa, desenhada para ampliar a presença do Partido Liberal no eleitorado feminino e fortalecer o ativismo, capacita mulheres a influenciar pautas de costumes, fiscalizar escolas e atuar em conselhos, prometendo um impacto transformador na configuração social e eleitoral do País, como evidenciado nesta segunda-feira, 11 de maio de 2026.

A estratégia do projeto foi detalhada em uma reportagem da Folha de S.Paulo, que acompanhou um encontro revelador em Mauá, na Grande São Paulo. Cerca de 15 mulheres, vestindo camisetas cor-de-rosa, seguiram as orientações de uma cartilha distribuída pelo partido. O material, também em tons de rosa, propõe 12 temas de discussão e oferece sugestões práticas para converter o engajamento político em ação concreta.

Ao final de cada reunião, as participantes repetem em coro o lema do movimento: “Edificando a nação: Alicerçadas!”. A proposta fundamental é que cada mulher se torne um pilar na difusão de valores conservadores em sua comunidade, operando num modelo de multiplicação em cadeia: uma participante influencia outras 12, que por sua vez mobilizam novas mulheres, tecendo uma rede de alcance nacional.

A cartilha emprega personagens fictícios e situações do cotidiano para introduzir temas como aborto, educação, família, participação política e críticas à chamada agenda “woke”. Cada capítulo segue a metodologia “Ver, Refletir, Iluminar e Agir”, combinando histórias, debates e propostas claras de ação. Em um dos capítulos, o material aborda a delicada questão de uma adolescente grávida sob pressão para abortar e defende vigorosamente a adoção legal como alternativa. Em outro, recomenda que grupos de mães monitorem atentamente o currículo escolar para identificar o que o texto classifica como doutrinação ideológica. Há também orientações detalhadas para que as mulheres participem ativamente de conselhos tutelares e municipais e organizem reuniões em casa para discutir política, reforçando seu papel cívico.

André Costa, coordenador de comunicação do PL Mulher e um dos autores da cartilha, declarou à Folha de S.Paulo que a proposta foi cuidadosamente concebida para dialogar com o público de forma acessível. “As narrativas são usadas para estabelecer pontes e conexões, numa linguagem simples”, explicou. Essa estrutura, que remete ao método “ver, julgar e agir”, tradicionalmente empregado por pastorais da Igreja Católica e movimentos populares, é adaptada pelo PL para difundir valores conservadores e fortalecer a organização política da direita brasileira.

Durante o encontro acompanhado pela reportagem, a coordenadora local do projeto, Priscila Faria, fez questão de sublinhar a distinção do movimento em relação ao feminismo. “Este não é de jeito nenhum um grupo de feministas”, afirmou, explicando que o objetivo é incentivar mulheres a se tornarem protagonistas sem, contudo, abrir mão de valores cristãos arraigados. A esteticista Aline Biazotto, anfitriã do evento, compartilhou como sua percepção sobre política se transformou: “Eu achava que todo político era corrupto até escutar uma frase do meu pastor: ‘Se os bons não se levantam, os maus tomam conta’”.

Ela resume sua visão sobre o papel da mulher em termos que ecoam o discurso do grupo: “Não sou feminista, sou feminina. Meu marido é o provedor do lar e eu sou submissa no sentido dele cuidar de mim. Só que eu tenho conteúdo, sou inteligente”. A proposta do Alicerça Brasil é justamente conciliar esse modelo tradicional de família com uma participação política mais ativa, especialmente em temas cruciais relacionados à educação, infância e costumes.

Presença Nacional

O PL Mulher afirma que o Projeto Alicerça Brasil já está solidamente estruturado em todos os estados e em aproximadamente 2 mil municípios. A iniciativa integra um conjunto de ferramentas desenvolvidas para fortalecer o protagonismo feminino dentro do partido e ampliar a interlocução com as eleitoras, com foco particular no público evangélico. Além da cartilha, o partido oferece cursos de capacitação para candidatas, materiais de formação e um sistema de pontuação que reconhece e recompensa as participantes mais engajadas com broches e níveis de reconhecimento.

Embora esteja afastada das atividades presenciais para prestar assistência ao ex-presidente Jair Bolsonaro em prisão domiciliar, Michelle Bolsonaro continua a mobilizar lideranças por meio de encontros virtuais. Em uma transmissão, a ex-primeira-dama agradeceu o empenho das coordenadoras regionais: “Nesse momento em que estou reclusa cuidando da nossa maior liderança, o meu marido, vocês estão cuidando do nosso movimento Alicerça Brasil”, disse.

A aposta estratégica do PL é reduzir a resistência de parte do eleitorado feminino ao bolsonarismo e consolidar uma base de apoio que transcenda as campanhas eleitorais, criando núcleos permanentes de mobilização política em bairros e comunidades por todo o País.

O que propõe a cartilha do Projeto Alicerça Brasil

  • Participar para influenciar: Incentiva mulheres a ocupar conselhos tutelares, de educação, saúde e outros espaços de decisão, garantindo voz ativa.
  • Fiscalizar o conteúdo escolar: Estimula a criação de grupos de mães para acompanhar o currículo e contestar temas considerados ideológicos, protegendo a formação dos filhos.
  • Valorizar o ensino técnico: Apresenta cursos profissionalizantes como alternativa prática e menos exposta a influências ideológicas, focando na empregabilidade.
  • Defender a vida: Reforça posicionamento contrário ao aborto e sugere a entrega legal para adoção, priorizando a dignidade da vida.
  • Fortalecer a família: Defende políticas públicas voltadas à maternidade e ao modelo familiar tradicional, reconhecendo seu papel essencial na sociedade.
  • Promover educação política: Orienta as participantes a reunir amigos e familiares para discutir política e combater a omissão cívica, fomentando o engajamento comunitário.

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