OPERAÇÃO AVANÇA

Pimenta solicita tornozeleira para Flávio Bolsonaro

Paulo Pimenta em imagem de divulgação
Paulo Pimenta, líder do Governo na Câmara, anuncia pedido de monitoramento para Flávio Bolsonaro

Líder do governo na Câmara cita "risco de fuga" do senador após prisão em nova fase da Operação Compliance Zero. Saiba mais detalhes sobre o pedido e as investigações que envolvem o Banco Master.

Nesta quinta-feira, 14 de maio de 2026, o deputado Paulo Pimenta (PT-RS), líder do Governo na Câmara, anunciou que apresentará um pedido formal à Justiça para que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) seja monitorado por tornozeleira eletrônica. A solicitação surge após a prisão preventiva de Henrique Moura Vorcaro, pai do fundador do Banco Master, na 6ª fase da Operação Compliance Zero. Para Pimenta, a medida é crucial diante do "risco de fuga" do senador e visa assegurar o bloqueio imediato de seus bens, garantindo a devolução de valores ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e, assim, ressarcindo pessoas que teriam sido lesadas.

Em seu perfil na rede social X, o congressista reforçou a urgência do bloqueio de bens. “Com essa prisão de hoje aumenta ainda mais o risco de fuga. É preciso também bloquear imediatamente os bens de Flávio Bolsonaro para garantir que esse dinheiro seja devolvido ao FGC, o Fundo Garantidor de Crédito, que é de onde está saindo o dinheiro para indenizar as pessoas que foram fraudadas”, declarou.

O líder do Governo na Câmara também manifestou sua convicção de que os R$ 134 milhões, que Flávio Bolsonaro teria solicitado a Daniel Vorcaro, filho de Henrique, “não eram para filme nenhum”. Segundo Pimenta, o montante, serviu, entre outras finalidades, para financiar a permanência de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. Para o deputado, fatos como a prisão preventiva de sete investigados e as medidas cautelares solicitadas na operação evidenciam que a Polícia Federal possui independência para conduzir investigações complexas.

“Vamos provar que esse esquema do BolsoMaster estava instalado no coração do governo e que na realidade era um grande esquema de financiamento de campanha. Envolve financiamento de imóveis para Flávio Bolsonaro, manutenção do Eduardo Bolsonaro nesse esquema criminoso nos EUA, compra de influenciadores para atacar o Banco Central, o governo Lula”, acrescentou Pimenta.

A OPERAÇÃO E O GRUPO A TURMA

A Polícia Federal deflagrou a nova etapa da Operação Compliance Zero nesta quinta-feira (14.mai), sob autorização do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça. O principal alvo foi Henrique Vorcaro, apontado como demandante, beneficiário e operador financeiro de uma organização criminosa dividida em dois núcleos principais: A Turma e Os Meninos.

Segundo a investigação, A Turma atuava como um braço de intimidação e coleta de informações, composto por policiais federais da ativa e aposentados, além de bicheiros e milicianos. O grupo realizava ameaças presenciais, monitoramento de alvos e acessos indevidos a sistemas governamentais, exercendo pressão sobre críticos do Banco Master e da família Vorcaro.

A PF identificou uma forte ligação entre Henrique Vorcaro e o grupo. Mensagens interceptadas mostram o empresário solicitando serviços ilícitos e providenciando repasses de R$ 400 mil a R$ 800 mil para a manutenção da estrutura, mesmo após o início das fases visíveis da investigação.

A CONEXÃO COM FLÁVIO BOLSONARO

A ligação com Flávio Bolsonaro surge após a revelação de áudios atribuídos a ele, nos quais pedia patrocínio a Daniel Vorcaro para o filme “Dark Horse”. Uma reportagem do Intercept Brasil indicou que um fundo ligado à produção recebeu US$ 10,6 milhões (equivalente a cerca de R$ 61 milhões) entre fevereiro e maio de 2025.

Contudo, o deputado Mario Frias (PL-SP), produtor-executivo do longa, negou nesta quinta-feira (14.mai) qualquer investimento de Daniel Vorcaro na obra. “Não há um único centavo do sr. Daniel Vorcaro em Dark Horse”, afirmou Frias em comunicado, classificando a relação como “estritamente privada”. De acordo com ele, o papel de Flávio Bolsonaro limitou-se à cessão de direitos de imagem da família Bolsonaro e ao uso de seu sobrenome para atrair outros investidores.

FLÁVIO SE MANIFESTA

Após as conversas serem divulgadas, Flávio Bolsonaro se reuniu com outras figuras importantes do Partido Liberal, como Valdemar Costa Neto (PL) e Rogério Marinho (PL-RN), no “QG do PL”, localizado no Lago Sul, em Brasília – apelido da casa onde membros do partido discutem questões de campanha.

De dentro do “QG”, o senador gravou um vídeo confirmando seu envolvimento com Vorcaro, mas negando que as transações tenham envolvido dinheiro público ou sejam ilícitas.

“Toda essa história que está sendo veiculada agora nada mais é do que um filho procurando investidores privados para fazer um filme privado sobre a história do seu próprio pai. Zero de dinheiro público, zero de Lei Rouanet [...] Eu conheci Daniel Vorcaro em dezembro de 2024. Não tinha mais governo Bolsonaro, não tinha absolutamente nenhuma acusação contra ele. O que acontece é que com o passar do tempo, ele simplesmente parou de honrar com as parcelas do contrato. Sim, tinha um contrato que, ao ele não pagar essas parcelas, tinha uma grande chance de o filme sequer ser veiculado, o filme sequer ser concluído. Em função disso, inclusive procuramos outros investidores para concluir esse filme”, declarou Flávio Bolsonaro.

Ao Poder360, a defesa da família de Vorcaro informou que não irá se manifestar sobre a operação.

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