ECONOMIA EM ALERTA

PIB do RN deve crescer 0,5% em 2026, abaixo da média nacional e regional

Gráfico de projeção econômica do Rio Grande do Norte.
A economia do Rio Grande do Norte enfrenta desafios em 2026.

Nova projeção da Tendências Consultoria aponta para desaceleração, impactada principalmente pelo setor industrial e de petróleo. Recuperação é esperada para 2027.

A economia do Rio Grande do Norte registrou uma revisão em sua projeção de crescimento para 2026. A Tendências Consultoria, em divulgação recente, ajustou a estimativa de 1,4% para 0,5%, indicando um desempenho abaixo das expectativas iniciais. A decisão de revisar a projeção para baixo se deu diante de um cenário de desafios econômicos, com especial atenção para a queda significativa no setor industrial, o que importa para a compreensão da dinâmica econômica do estado neste ano.

A economista Giuliana Folego explicou que a retração de 17,9% na indústria, especialmente no refino de petróleo e biocombustíveis (com recuo de quase 30%), é o principal fator por trás dessa desaceleração. O declínio na produção em campos maduros e as interrupções operacionais na Refinaria Clara Camarão afetaram diretamente a geração de riqueza. O setor de petróleo, que por uma década contribuiu negativamente para o PIB estadual devido à redução crônica de investimentos, conforme aponta o Sindipetro-RN, continua sendo um ponto de atenção.

O setor agropecuário também enfrenta previsões desfavoráveis, com retração projetada para itens como leite, ovos, mandioca e carne bovina. Entidades como a Faern destacam que a insegurança hídrica, os custos elevados de energia e os gargalos logísticos limitam a competitividade dos produtores rurais, impactando a sua dignidade e subsistência.

Apesar dos indicadores atuais, a Tendências Consultoria projeta um cenário de recuperação para 2027, com a economia potiguar podendo avançar 1,8%. Essa perspectiva baseia-se na retomada parcial do refino e no avanço de setores como a indústria de transformação e o fortalecimento de culturas como arroz e feijão.

O estado do Rio Grande do Norte mantém bases econômicas sólidas, como a liderança em energia renovável e a fruticultura irrigada de alta produtividade em regiões como Mossoró e Assú. Fábio Queiroga, do COEX, ressalta que a abertura de mercados exigentes, como o chinês, pode impulsionar as exportações. Contudo, lideranças empresariais, como Roberto Serquiz (Fiern), enfatizam que a transformação desse potencial em desenvolvimento sustentável depende de um ambiente de negócios mais moderno, com estabilidade fiscal, segurança jurídica e, principalmente, melhorias estruturais na logística de escoamento, essenciais para garantir o futuro das atividades produtivas.

O turismo, pilar do setor de serviços, permanece como um motor dinâmico, mas, segundo a Fecomércio-RN, requer investimentos contínuos em qualificação profissional e infraestrutura que vá além do apelo convencional de "sol e mar", garantindo uma experiência completa e de qualidade para os visitantes e sustentabilidade para os trabalhadores do setor.

Classificação Indicativa: Livre

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