ACORDO EM JOGO

PGR e PF exigem confissão de crimes de Daniel Vorcaro para aceitar nova delação

Foto de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

Procuradoria-Geral da República e Polícia Federal definem que empresário deve assumir responsabilidade pelos ilícitos investigados. Proposta anterior foi rejeitada por proteger terceiros e omitir fatos.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) e a Polícia Federal (PF) estabeleceram nesta segunda-feira, 01/06/2026, uma condição inegociável para aceitar uma nova proposta de delação premiada do empresário Daniel Vorcaro: a confissão de crimes. A decisão foi tomada em duas reuniões realizadas na semana passada entre os advogados do empresário, a PGR e delegados da PF, que buscam um acordo com o dono do Banco Master após a rejeição de uma oferta anterior.

A proposta de delação de Vorcaro, apresentada em 20 de maio, foi considerada insuficiente por investigadores. A negativa ocorreu porque o acordo tentava proteger pessoas que deveriam ser mencionadas e omitia fatos já de conhecimento das autoridades. A apuração é de Malu Gaspar, conforme informações divulgadas pelo Portal 98 FM Natal.

Um dos pontos de maior crítica na proposta rejeitada foi o tratamento dado ao senador Ciro Nogueira (PP-PI). Os anexos da delação omitiram o pagamento de uma mesada de R$ 500 mil, despesas com viagens e jantares na Europa, além da apresentação da chamada “emenda Master”. Essa emenda propunha aumentar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito. Investigadores descreveram o capítulo sobre o senador como “a beatificação de Ciro”, indicando uma tentativa de blindá-lo.

A influência do governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, nos aportes do Rioprevidência em papéis do Banco Master também foi tratada de forma superficial. A omissão desses detalhes sinaliza, segundo os investigadores, que Vorcaro ainda tenta minimizar sua própria exposição nos crimes.

A exigência central para que um novo acordo seja aceito é que Daniel Vorcaro abandone sua postura defensiva e assuma a responsabilidade pelos ilícitos investigados. "Ele precisa aceitar que uma delação presume confissão de crimes, não é instrumento de defesa", explicou um investigador envolvido nas negociações. A prisão de Vorcaro ocorreu em novembro.

Paralelamente, os advogados de Vorcaro buscam restabelecer o canal de comunicação com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, relator do caso. Mendonça havia suspendido os contatos após a apresentação da proposta rejeitada, que, segundo sua interpretação, sinalizava uma ameaça ao indicar um recurso à Segunda Turma do STF caso o acordo não fosse homologado.

Após a negativa do acordo, Vorcaro foi transferido de uma sala de Estado-Maior da PF no Distrito Federal para uma cela de passagem com condições inferiores. Posteriormente, o ministro Mendonça autorizou seu retorno à sala original, a mesma que abrigou o ex-presidente Jair Bolsonaro antes de sua transferência para a Papudinha. Essa decisão foi vista como um sinal de que as tratativas podem recomeçar, mas agora cabe à defesa de Vorcaro convencê-lo a mudar de posição para viabilizar um acordo.

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