TROCA NA PF
PF muda inquérito sobre Lulinha e irrita STF
Mudança na investigação sobre fraudes no INSS, que miram Lulinha, filho do presidente Lula, incomoda ministro André Mendonça; encontro com PF foi nesta sexta-feira, 15 de maio de 2026.
A Polícia Federal transferiu a coordenação dos inquéritos que apuram fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) para a Coordenação de Inquéritos nos Tribunais Superiores (Cinq). A decisão da PF, tomada há pelo menos duas semanas, desencadeou uma onda de críticas em Brasília e acirrou a oposição ao governo federal, principalmente por afetar investigações que miram Fábio Luiz Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A mudança gerou profundo incômodo no ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), que não foi informado previamente e exigiu esclarecimentos em reunião nesta sexta-feira, 15 de maio de 2026. Este cenário levanta sérias questões sobre a autonomia da polícia e a percepção pública de interferência em casos de alta relevância, impactando a confiança nas instituições.
O departamento da Polícia Federal que até então conduzia as investigações e foi responsável, inclusive, pela quebra de sigilo de Lulinha em etapas anteriores, foi retirado da coordenação do caso. A partir de agora, a responsabilidade integral recai sobre a Cinq.
As apurações sobre as fraudes no INSS tiveram início na Justiça Federal. Contudo, à medida que passaram a envolver políticos e autoridades com foro privilegiado, os processos foram encaminhados ao Supremo Tribunal Federal, onde André Mendonça atua como relator.
Concomitantemente à mudança na coordenação, um dos delegados que atuava diretamente no caso, Guilherme Figueiredo Silva, chefe da Divisão de Repressão a Crimes Previdenciários, solicitou sua transferência. Ele pediu retorno ao seu estado de origem, Minas Gerais, conforme informou a Polícia Federal. A instituição classificou a alteração como pontual, explicando que a troca de área visa ampliar as possibilidades dentro da investigação. No entanto, tal justificativa não foi suficiente para apaziguar as críticas e a repercussão negativa.
A CNN apurou que a alteração ocorreu há pelo menos duas semanas, mas André Mendonça não recebeu notificação prévia. O ministro manifestou grande descontentamento com a situação e convocou a equipe da Polícia Federal para uma reunião de esclarecimentos, realizada nesta sexta-feira, 15 de maio de 2026, conforme citado anteriormente.
"Como se faz uma mudança em um cargo importante e não se conversa com o relator disso, não se antecipa o relator dessa mudança", pontuou a analista de Política Jussara Soares, durante o CNN Prime Time, ao abordar a insatisfação do ministro do STF.
Ainda segundo Jussara, André Mendonça exigiu que não houvesse perseguição a nenhum indivíduo, mas reforçou a importância de ser mantido informado sobre qualquer alteração relevante nos rumos das investigações.
A oposição, por sua vez, ligou a mudança na coordenação ao histórico de ações do setor da PF contra Lulinha, bem como à condução da delação premiada do empresário Maurício Camisotti, apontado como um dos principais articuladores das fraudes no INSS. Esta delação chegou ao STF, mas precisou retornar para ser refeita com a anuência da Procuradoria-Geral da República (PGR).
Reação da oposição intensifica debate
Sóstenes Cavalcante, líder do PL na Câmara dos Deputados, protocolou um pedido para que o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, seja convocado. O objetivo é que ele preste esclarecimentos sobre a mudança, que o deputado classificou como ocorrida em um "momento sensível" da investigação.
Em uma publicação nas redes sociais, Sóstenes Cavalcante recordou o episódio em que Jair Bolsonaro, ao substituir um superintendente da Polícia Federal durante investigações que poderiam atingir seus filhos e aliados, enfrentou severas críticas da classe política e da opinião pública. A comparação ressalta a similaridade de cenários e o impacto na percepção de imparcialidade.
Em análise veiculada no CNN Prime Time, o analista Pedro Venceslau observou que a substituição do delegado proporcionou "um respiro para a oposição", em um período em que o governo vinha acumulando uma série de agendas positivas. "O presidente Lula, que tem evitado comemorar as operações da PF que atingem seus adversários e orientou ministros a não tripudiar para não ser acusado de aparelhamento da Polícia Federal, agora entrega de bandeja para a oposição um discurso em uma tentativa de saída defensiva nesse momento difícil para Flávio Bolsonaro", destacou Venceslau, pontuando a ironia do cenário político atual.
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