DINHEIRO E PODER
PF investiga R$ 61 milhões em elo com filme de Bolsonaro
Valores teriam sido repassados por Daniel Vorcaro para cinebiografia "Dark Horse" ou para "comprar" influência política. Produtora nega recebimento.
A Polícia Federal (PF) iniciou uma investigação crucial para desvendar o destino de R$ 61 milhões, supostamente repassados por Daniel Vorcaro, ex-banqueiro e dono do Banco Master. A apuração, que ganhou destaque nesta quinta-feira, 14 de maio de 2026, busca determinar se os vultosos valores foram de fato empregados na produção da cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), intitulada “Dark Horse”, ou se serviram para, de alguma forma, “comprar” influência política e obter favorecimentos indevidos por parte de agentes públicos. Esta investigação é vital para a transparência na esfera pública, para salvaguardar a dignidade das instituições e para assegurar a integridade das relações entre agentes políticos e o setor privado, protegendo a confiança da sociedade.
Os investigadores seguirão o rastro do dinheiro. Conforme apurações preliminares da CNN, o foco inicial é identificar o montante. Informações indicam que Vorcaro teria prometido ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) um total de R$ 134 milhões para o projeto do filme. Contudo, os comprovantes analisados até o momento apontam o repasse de, ao menos, cerca de R$ 60 milhões.
O principal objetivo da PF é averiguar a origem exata e, principalmente, o destino final do capital. Uma fonte ligada à investigação revelou que a força-tarefa apurará se algum agente público se beneficiou pessoalmente desses recursos de Vorcaro e, em troca, agiu politicamente para defender os interesses do ex-banqueiro, o que configuraria um grave desvio de conduta e abuso de poder.
É importante ressaltar que, até o presente momento, nem Jair Bolsonaro nem Flávio Bolsonaro figuram como investigados formais neste inquérito. A investigação avança após uma reportagem publicada pelo site The Intercept na quarta-feira, 13 de maio de 2026, que detalhou a suposta cobrança de dinheiro por um pré-candidato à Presidência a Daniel Vorcaro para cobrir os custos de produção da cinebiografia de seu pai.
Em nota, a Goup Entertainment, produtora responsável pelo longa-metragem, afirmou categoricamente que não recebeu “um único centavo” de Vorcaro ou de qualquer outra empresa em que ele tivesse participação. Esta declaração adiciona uma camada de complexidade à investigação, exigindo que a PF desvende onde e como o dinheiro teria sido movimentado, caso a acusação se confirme.
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