ALVOS DA PF
PF investiga empresário que doou a ex-ministro de Bolsonaro e almejava carreira política
Felipe Macedo Gomes, ligado a esquema de R$ 700 milhões em descontos no INSS, fez doação de R$ 60 mil para campanha de Onyx Lorenzoni em 2022. Empresário também demonstrava interesse em ingressar na política.
A Polícia Federal (PF) apura o envolvimento de Felipe Macedo Gomes em um esquema que teria desviado R$ 700 milhões de aposentados do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS) por meio de descontos indevidos. Gomes, que preside a associação Amar Brasil, fez uma doação de R$ 60 mil para a campanha de Onyx Lorenzoni ao governo do Rio Grande do Sul em 2022. Lorenzoni, à época ministro da Previdência, negou conhecer Gomes e afirmou que a doação foi legal.
A investigação, deflagrada nesta quarta-feira, 27/05/2026, aponta que o Acordo de Cooperação Técnica (ACT) entre a Amar Brasil e o INSS, que permitia o desconto de 2,5% dos benefícios como mensalidade associativa, foi firmado em agosto de 2022. Naquele período, a associação era presidida por outro nome, mas Lorenzoni já estava em campanha eleitoral. A PF sugere que o processo para o acordo foi iniciado durante a gestão de Lorenzoni na Previdência.
O escândalo, batizado de 'Farra do INSS', foi revelado em reportagens a partir de dezembro de 2023. O grupo ao qual Gomes pertence, conhecido como 'Golden Boys', ostentava uma vida de luxo em Alphaville, bairro de alto padrão em Barueri. Além da Amar Brasil, o grupo administrava outras entidades como Master Prev, ANDAPP e AASAP.
Em depoimento ao Metrópoles, Lorenzoni classificou o relatório da PF como tendencioso, argumentando que a autorização de descontos de entidades associativas não era atribuição direta do ministro da Previdência, embora o INSS estivesse sob o guarda-chuva da pasta. Ele ressaltou que não possuía relação direta com Gomes, mas admitiu que pessoas de seu círculo poderiam ter recebido a doação em seu nome.
A proximidade de Gomes com figuras políticas também se estende a outros nomes. Em abril de 2025, antes de se tornar alvo da PF, ele expressou a interlocutores o desejo de ingressar na política, buscando, segundo relatos, legitimar os lucros obtidos com as atividades investigadas. Pessoas próximas ao empresário citam o deputado federal Fausto Pinato como um político a ele ligado. Pinato, que trocou o PP pelo União Brasil, confirmou ter alugado uma sala comercial em Baureri, na Grande São Paulo, que funcionava como escritório político, de uma empresa de Gomes. O deputado, no entanto, nega proximidade com o empresário e afirma desconhecer sua identidade ao firmar o contrato de aluguel.
A menção de Onyx Lorenzoni e Fausto Pinato nas investigações da PF motivou o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), a solicitar, em junho de 2025, o compartilhamento de todos os inquéritos sobre fraudes no INSS. O objetivo era avaliar a competência de seu gabinete para relatar os casos, em função do foro privilegiado dos citados. Posteriormente, Toffoli cedeu a relatoria, que ficou a cargo do ministro André Mendonça, responsável por autorizar a nova fase da Operação Sem Desconto.
O advogado de Felipe Gomes, Rogerio Cury, declarou que seu cliente sempre se colocou à disposição da Justiça para prestar todos os esclarecimentos necessários.
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