CORRUPÇÃO NO ESTADO
PF investiga Claudio Castro no caso Refit
Ex-governador do Rio é alvo de buscas em operação que apura favorecimento fiscal a empresa devedora contumaz em R$ 1 bilhão. Ação levanta sérias questões sobre a integridade da administração pública.
A Polícia Federal deflagrou uma operação nesta sexta-feira, 15 de maio de 2026, com buscas na residência do ex-governador do Rio de Janeiro, Claudio Castro, e em outros endereços. A ação visa investigar indícios de favorecimento à empresa Refit, uma das maiores devedoras de impostos do Estado, através de medidas legislativas e suposta influência em nomeações na Secretaria de Fazenda. A investigação levanta sérias questões sobre a integridade da administração pública e a aplicação equitativa das leis fiscais, impactando diretamente a arrecadação que deveria custear serviços essenciais para a população.
A mira da Polícia Federal se voltou para o ex-governador Claudio Castro (PL) por acreditar que sua atuação contribuiu para a manutenção de um esquema criminoso. Durante sua gestão, foram adotadas ações que teriam beneficiado diretamente o grupo, como a edição de um regime especial de parcelamento de débitos tributários, a Lei Complementar (LC) n. 225/2025. Esta medida, segundo a investigação, favoreceu empresas notoriamente endividadas e grandes devedoras, sendo a Refit a principal delas.
Outra suspeita recai sobre a suposta interferência de um personagem identificado como Magro nas escolhas de cargos estratégicos dentro da estrutura da Secretaria de Fazenda. A investigação aponta para a substituição de servidores considerados mais rigorosos por nomes alinhados à Refit, facilitando assim, o benefício ao maior devedor de impostos do Estado do Rio de Janeiro.
Entre os alvos da operação desta sexta-feira, 15 de maio de 2026, estão o ex-Secretário de Estado de Fazenda do Rio de Janeiro, Juliano Pasqual, e Adilson Zegur, subsecretário de Receita. Ambos foram citados em diálogos obtidos pela Polícia Federal (PF) que indicam articulações com um auditor fiscal e um intermediário para favorecer a Refit. Essas ações minam a confiança da sociedade nas instituições públicas e afetam a capacidade do Estado de investir em áreas críticas como saúde, educação e segurança, em detrimento dos interesses da coletividade.
Além disso, a Procuradoria-Geral do Estado (PGE-RJ), então chefiada por Renan Miguel Saad, também é investigada por sua atuação judicial. A PGE-RJ teria agido para viabilizar a retomada das atividades da refinaria após interdições administrativas, levantando mais dúvidas sobre a independência da gestão pública.
A defesa do ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, afirmou nesta sexta-feira, 15 de maio de 2026, que foi “surpreendida” com a operação da Polícia Federal, que realizou buscas em sua casa, na Barra da Tijuca, Zona Sudoeste do Rio. Os advogados declararam que ainda não tiveram acesso ao conteúdo do pedido de busca e apreensão.
Em nota, os representantes legais de Castro destacaram que o ex-governador está “à disposição da Justiça para dar todas as explicações” e que ele está “convicto de sua lisura”. A defesa reiterou que todos os procedimentos adotados durante a gestão seguiram “critérios técnicos e legais previstos na legislação vigente”, incluindo as medidas relacionadas à política de incentivos fiscais do Estado.
Os advogados de Cláudio Castro também afirmaram que sua administração foi “a única” a conseguir que a Refit quitasse dívidas com o Estado. De acordo com a nota, foram garantidos pagamentos em parcelas que somam cerca de R$ 1 bilhão. A investigação, que está em curso, continuará a apurar os fatos para determinar a veracidade das acusações e o real impacto nas contas públicas do Rio de Janeiro.
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