FRAUDE FINANCEIRA
PF expõe esquema no Banco Master de Daniel Vorcaro
Investigações da Polícia Federal revelam nesta quinta-feira, 14/05/2026, detalhes de um intrincado esquema financeiro orquestrado por Daniel Vorcaro no Banco Master, liquidado pelo Banco Central em novembro. A operação envolveu a captação de mais de R$ 50 bilhões em CDBs, com recursos desviados para fundos que financiavam empresas ligadas a seus familiares e sócios, caracterizando gestão fraudulenta e lavagem de dinheiro, com penas que podem chegar a 12 anos de reclusão e abalando a confiança no mercado.
A Polícia Federal revelou nesta quinta-feira, 14/05/2026, que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro utilizou o Banco Master, liquidado pelo Banco Central em novembro, em um sofisticado esquema de engenharia financeira para transferir bilhões de reais a seus familiares e sócios. A descoberta, noticiada pela Folha de São Paulo, aponta para práticas de gestão fraudulenta e lavagem de dinheiro que abalam a confiança no sistema financeiro e podem resultar em pesadas penas de prisão para os envolvidos.
O cerne da fraude, conforme as investigações da PF, residia na venda de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com rentabilidade acima da média do mercado, captando mais de R$ 50 bilhões de investidores pessoas físicas através de diversas plataformas. Esses montantes eram então direcionados a fundos de crédito que tinham o próprio Banco Master como o único e exclusivo investidor.
Dentro desses fundos, o dinheiro era desviado para empresas que mantinham laços diretos com Daniel Vorcaro, sua família e seus sócios. A Polícia Federal constatou que a maioria desses empréstimos carecia de uma destinação produtiva clara. Dos R$ 3,5 bilhões que o Banco Master investiu nesses fundos, uma quantia impressionante de R$ 1,8 bilhão foi parar em companhias diretamente ligadas aos próprios sócios do banco.
Um exemplo emblemático destacado na investigação é o caso da Clínica Mais Médico, que recebeu R$ 361,1 milhões de um fundo controlado pelo Banco Master. A clínica, surpreendentemente, estava registrada em nome de um “laranja”, cuja procuração possuía vínculo direto com uma pessoa próxima à família de Vorcaro, evidenciando a complexidade e o caráter dissimulado do esquema.
As apurações da PF também revelaram movimentações vultosas na conta bancária de Henrique Vorcaro, pai do ex-banqueiro, com um saldo que superava os R$ 2,2 bilhões. Entre os outros beneficiários identificados nas transferências irregulares estão Natalia, irmã de Daniel Vorcaro, seu primo Felipe, e parentes de João Carlos Mansur, o proprietário da administradora Reag.
O ciclo do esquema se completava quando os fundos aplicavam em CDBs do próprio Banco Master. Estes eram progressivamente resgatados, permitindo que os recursos fossem transferidos para o círculo íntimo de Vorcaro. O dinheiro percorria uma complexa cadeia de CNPJs, até finalmente alcançar contas bancárias vinculadas diretamente ao ex-banqueiro, dificultando o rastreamento.
Adicionalmente, o esquema inflava artificialmente os ativos do banco por meio da aquisição de certificados de ações do extinto Besc por esses mesmos fundos. Tais papéis eram supervalorizados de forma irreal, criando uma valorização fictícia que, por sua vez, permitia ao Banco Master emitir um volume cada vez maior de CDBs, perpetuando a captação de recursos.
Para o advogado Adilson Bolico, as ações detalhadas pela Polícia Federal configuram delitos graves como gestão fraudulenta de instituição financeira e lavagem de dinheiro. As penas previstas para esses crimes são severas, podendo chegar a 12 anos de reclusão para a gestão fraudulenta e 10 anos para o crime de lavagem de dinheiro, reforçando a seriedade das acusações.
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