NOVA DELAÇÃO EM ANÁLISE
PF e PGR analisam nova proposta de delação de Daniel Vorcaro no caso Master
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, apresenta nova versão de proposta. Investigadores da PF e PGR decidem se avançam, pedem mais detalhes ou rejeitam o acordo.
A Polícia Federal (PF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR) analisam nesta quinta-feira, 04/06/2026, a nova versão da proposta de delação premiada apresentada por Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A decisão sobre se as negociações avançam, se novos complementos serão solicitados ou se o acordo será rejeitado deve sair nos próximos dias.
Os anexos foram entregues nesta semana em reuniões entre os advogados do banqueiro e integrantes da PF e da PGR. Segundo interlocutores envolvidos nas tratativas, a nova versão trouxe relatos mais detalhados em comparação com o primeiro material, que foi recusado em maio.
A primeira proposta foi rejeitada por não apresentar colaboração efetiva. Na avaliação inicial dos investigadores, Vorcaro tentou justificar pagamentos e relações com políticos, mas sem admitir crimes ou apresentar novos elementos de prova. Informações já conhecidas pela PF, como uma suposta mesada ao senador Ciro Nogueira (PP-PI), que nega irregularidades, e conversas com Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Cláudio Castro (PL), teriam sido omitidas.
Diante disso, os investigadores consideraram que o acordo não poderia avançar nos moldes apresentados. A PF também estava analisando informações encontradas em celulares de Vorcaro e de familiares que entraram na mira da apuração.
Após a rejeição, a defesa do banqueiro acelerou a apresentação de uma nova proposta, buscando afastar a percepção de que Vorcaro estaria apenas ganhando tempo para evitar a permanência em um presídio de segurança máxima. A equipe jurídica também foi alterada: o criminalista Jose Luis Oliveira Lima, conhecido como Juca, deixou o caso, e Sergio Leonardo passou a coordenar a defesa, uma mudança interpretada nos bastidores como um gesto para facilitar as negociações, uma vez que Juca acumulava desavenças com o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator das investigações sobre o Banco Master.
Daniel Vorcaro completa três meses preso nesta quinta-feira. Durante esse período, ele chegou a ficar no Presídio Federal de Brasília, onde cumpriu rotina semelhante à aplicada a chefes de facções criminosas. Após assinar um acordo de confidencialidade para iniciar as discussões sobre a colaboração, Vorcaro foi transferido para a Superintendência da PF, em Brasília, ocupando uma sala especial usada para custodiar autoridades. A PF chegou a pedir ao ministro André Mendonça que determinasse o retorno do banqueiro ao presídio federal, mas o magistrado não acolheu a solicitação.
A nova proposta será avaliada pela PF e pela PGR com foco na existência de informações inéditas, documentos e elementos capazes de reforçar as investigações. Caso o material seja considerado relevante pelos investigadores, eles poderão convocar Vorcaro para novos depoimentos e exigir provas que confirmem os relatos. Se houver acordo sobre os termos, a colaboração seguirá para análise do ministro André Mendonça, que decidirá sobre a homologação.
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