POLÍCIA FEDERAL EM AÇÃO

PF busca incluir Daniel Vorcaro na lista da Interpol para rastrear ativos no exterior

Daniel Vorcaro em destaque
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, é alvo de investigação da Polícia Federal.

A força policial planeja solicitar à Interpol a inclusão de Daniel Vorcaro em lista de difusão prateada para monitorar movimentações financeiras globais. Medida depende de autorização do STF e visa identificar e reter bens.

A Polícia Federal (PF) planeja solicitar a inclusão de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, na lista de difusão prateada da Interpol. O objetivo é rastrear e bloquear movimentações financeiras do empresário no exterior. A medida, se formalizada, requer autorização do Supremo Tribunal Federal (STF) e cooperação de autoridades internacionais para sua efetivação.

A difusão prateada é um instrumento de cooperação internacional focado na identificação e retenção de bens de investigados. Diferentemente da difusão vermelha, que visa à captura de foragidos, este mecanismo atua diretamente sobre o patrimônio. O sistema foi empregado pela primeira vez no início de 2025 contra um membro da máfia italiana, demonstrando sua capacidade de agir sobre ativos financeiros.

Daniel Vorcaro, dono do Banco Master
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, é alvo de investigação da Polícia Federal.

Segundo apurações, a iniciativa pode alcançar valores enviados por Vorcaro para fora do país. Entre eles, R$ 61 milhões repassados a um fundo nos Estados Unidos sob o argumento de financiar o filme "Dark Horse", que aborda a campanha de Jair Bolsonaro em 2018. O Brasil e os Estados Unidos integram o programa piloto da Interpol para testar este tipo de alerta.

Atualmente, a liquidante do Banco Master busca o bloqueio de bens associados a Vorcaro nos Estados Unidos por meio de ações judiciais diretas. O mapeamento de contas, fundos e outros ativos no exterior é um dos pontos cruciais que a PF e a Procuradoria-Geral da República (PGR) esperam obter com a negociação de um acordo de delação premiada com Vorcaro, em curso desde março.

Investigadores suspeitam da existência de recursos fora do país ainda não localizados, que poderiam ser utilizados para cobrir prejuízos decorrentes de fraudes atribuídas ao banco. Em outra linha de investigação, a PF aponta que Vorcaro teria contado com um operador que utilizava uma empresa nas Ilhas Virgens para custear despesas de viagens do senador Ciro Nogueira (PP-PI) por Europa, Estados Unidos e Caribe.

Nesta semana, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, defendeu a abertura de um novo inquérito para apurar os repasses financeiros relacionados ao filme "Dark Horse". Os valores foram enviados a um fundo nos Estados Unidos conectado a um advogado associado ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro. Uma das hipóteses é que os recursos tenham sido usados para custear a permanência de Eduardo no país, algo que ele nega.

Como parte dessa investigação, a PF também considera solicitar a quebra do sigilo bancário do fundo. O avanço do caso depende da manifestação da PGR e do STF para determinar em qual processo a investigação tramitará. As opções incluem o inquérito sobre fraudes no Banco Master, relatado pelo ministro André Mendonça, ou o processo sobre a atuação internacional de Eduardo Bolsonaro, sob relatoria de Alexandre de Moraes.

"Agora precisamos aguardar a decisão jurídica e dar os passos seguintes", declarou Andrei Rodrigues em entrevista à GloboNews, na última terça-feira, 04 de junho de 2026.

No final de maio, o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) solicitou providências à Interpol e à direção da PF para cooperação internacional no caso. Em seu pedido, o parlamentar mencionou a "Possibilidade de emissão de Silver Notice, Silver Difusion, alerta, difusão ou instrumento equivalente da INTERPOL para preservação, localização e identificação de ativos, documentos e informações financeiras associados às pessoas físicas e jurídicas envolvidas, caso preenchidos os requisitos jurídicos e operacionais aplicáveis."

A difusão prateada facilita a troca de informações entre países parceiros para rastreamento de bens. Se movimentações financeiras forem detectadas em outros territórios, as autoridades locais podem alertar o Brasil e auxiliar em um eventual bloqueio ou confisco dos recursos, protegendo assim a economia e a dignidade dos cidadãos.

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