INVESTIGAÇÃO SOBRE CORRUPÇÃO

PF aponta que coronel da PM parece abrir portas da corporação ao PCC

Montagem com prints de conversas e foto do coronel Luiz Carlos Pereira Martins
Arte gráfica com reprodução de conversas de WhatsApp e retrato de Luiz Carlos Pereira Martins - Metrópoles

Relatório da Polícia Federal detalha elos entre oficial da reserva e operadores de facção; Corregedoria da PM investiga conduta.

A Polícia Federal (PF) identificou indícios de que o coronel da reserva Luiz Carlos Pereira Martins utilizava sua influência para facilitar o acesso ao alto escalão da Polícia Militar de São Paulo (PMESP) a investigados por corrupção e lavagem de dinheiro. A conclusão consta em um relatório da Delegacia de Repressão à Corrupção e aos Crimes Financeiros, que aponta o oficial como uma figura central no relacionamento com operadores ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

O documento, obtido pelo Metrópoles, analisa o vínculo do coronel com Cléber Azevedo dos Santos e Robson Martins de Souza, presos na Operação Janus, deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) em 21 de julho. A investigação descreve os operadores como peças-chave em uma estrutura financeira que prestava serviços a criminosos, incluindo a lavagem de capitais da facção paulista.

Para a PF, a amizade próxima entre o coronel e os investigados, que incluía viagens, festas e encontros frequentes, levanta questionamentos sobre a neutralidade institucional. Em trecho do relatório finalizado em novembro de 2024, os agentes afirmam que o militar “parece abrir portas na corporação PMESP” para o grupo de Cléber. Embora a investigação tenha apurado a hipótese de pagamentos ilícitos, o documento ressalta que não foram encontrados elementos suficientes para confirmar o recebimento de propina pelo coronel até a data da conclusão da análise.

As evidências foram reunidas a partir da quebra de sigilo de dispositivos móveis. As conversas revelam uma rotina de confraternizações, como convites para eventos em estabelecimentos privados e reservas facilitadas em colônias de férias da Associação dos Oficiais da Polícia Militar do Estado de São Paulo (AOPM), onde Pereira Martins atua como diretor. A relação, segundo o monitoramento, manteve-se ativa mesmo após os operadores se tornarem alvo de investigações anteriores, como a Operação Fractal.

É importante destacar que o coronel Pereira Martins não foi alvo de prisão na Operação Janus e não consta, até o momento, como acusado no núcleo financeiro da organização criminosa. Em nota conjunta, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) e a Polícia Militar declararam que não compactuam com desvios de conduta e que a Corregedoria da PM já solicitou acesso aos autos do MPSP para conduzir as apurações necessárias nas esferas penal militar e disciplinar.

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