DESIGUALDADE NO EMPREENDEDORISMO

Perfil das empreendedoras brasileiras revela concentração no setor de serviços

Gráfico sobre o rendimento mensal de mulheres e homens empreendedores em 2026
As mulheres donas de negócios ganhavam no 1º trimestre de 2026 uma remuneração mensal média de R$ 3.148,88

Dados do Sebrae revelam que 58% das mulheres estão no setor de serviços, enquanto disparidade salarial frente aos homens persiste no 1º trimestre de 2026.

O Sebrae mapeou a ocupação das mulheres empreendedoras brasileiras, revelando que a vasta maioria atua no setor de serviços, enquanto enfrentam desafios estruturais na paridade salarial e na ocupação de setores como a construção civil. O levantamento, divulgado para refletir o cenário do 1º trimestre de 2026, oferece um retrato das barreiras e avanços enfrentados por quem empreende no país.

No 1º trimestre de 2026, 58% das mulheres donas de negócios estavam concentradas no setor de serviços. Outras frentes de trabalho incluíam o comércio (23,1%), a indústria (11,6%) e a agropecuária (6,3%). O contraste é mais nítido na construção civil: enquanto as mulheres representam apenas 0,9% do setor, os homens ocupam 18,9% das vagas. Essa disparidade evidencia a segregação setorial que ainda marca o mercado de trabalho brasileiro.

A dignidade financeira dessas empreendedoras também apresenta lacunas. No 1º trimestre de 2026, a remuneração mensal média das mulheres foi de R$ 3.148,88, valor 22% inferior ao rendimento dos homens, que alcançou R$ 4.037,71. Embora o ganho das mulheres tenha registrado um aumento real de 5% ao comparar o 1º trimestre de 2026 com o mesmo período de 2021 — superando a inflação de 35% no período —, a diferença de rendimentos em relação aos homens persiste.

A carga horária e a qualificação também diferenciam os perfis. As empreendedoras dedicaram, em média, 35 horas semanais ao negócio, 14% a menos que os homens. Paralelamente, o nível de instrução das mulheres é superior: 37,2% das donas de negócios possuíam, no 1º trimestre de 2026, ao menos o ensino superior incompleto, ante 21,9% entre os homens. Entre as empreendedoras, a taxa de ausência de instrução era de apenas 1,3%, índice que chegava a 2,8% no público masculino.

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