GOLPE DESMASCARADO

PCDF e Justiça agem contra influenciadores do 'Jogo do Tigrinho'

Fabrício Buarque Barros, influenciador digital alvo de operação da PCDF.
Fabrício Buarque Barros, um dos influenciadores digitais investigados na operação da PCDF contra o 'Jogo do Tigrinho'. (Foto: Reprodução)

Operação desta quarta-feira, 06 de maio de 2026, bloqueia R$ 11 milhões e mira fraudadores em sete estados, expondo promessas falsas a milhares.

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), por meio da 18ª Delegacia de Polícia (Brazlândia), desencadeou nesta quarta-feira, 06 de maio de 2026, uma vasta operação para desmantelar um sofisticado esquema criminoso envolvendo o "Jogo do Tigrinho". A Justiça determinou o bloqueio de impressionantes R$ 11 milhões e o cumprimento de mandados de busca e apreensão em sete estados, visando influenciadores digitais que, de forma ardilosa, ludibriavam milhares de seguidores, prometendo lucros fáceis e causando prejuízos financeiros substanciais.

Entre os alvos da investigação está Fabrício Buarque Barros, de São Luís (MA). A coluna Na Mira teve acesso a vídeos chocantes nos quais ele, sem escrúpulos, comenta supostos ganhos de participantes, manipulando a percepção de seus seguidores.

Em uma das gravações, Fabrício exalta: “Uma jogadora do meu grupo colocou R$ 23 e sacou mais de R$ 2 mil, entre outras pessoas que depositaram e começaram a ganhar”. Em outro vídeo, ele menciona outro resultado tentador: “Um jogador do meu grupo acabou de receber R$ 3 mil. Vou mostrar o print”. Essas narrativas, cuidadosamente construídas, buscavam gerar uma falsa sensação de oportunidade e ganho fácil, atraindo mais vítimas para a armadilha.

Apesar de manter um perfil aparentemente discreto, com cerca de 14 mil seguidores, Fabrício publicava conteúdos sobre sua rotina, incluindo participação em eventos de jogos, prática de atividades físicas e momentos de lazer com a família, criando uma imagem de credibilidade e estilo de vida almejável. O portal Metrópoles tentou contato com o investigado por meio das redes sociais e busca localizar sua defesa. O espaço segue aberto para manifestações.

Falsos "vendedores de sonhos" iludem com promessas de riqueza

Além de Fabrício, Roberth Lucas, de 24 anos, também figura entre os alvos da investigação. Em suas redes sociais, ele prometia aos seguidores o que chamava de uma “forma de ganhar dinheiro”.

Em publicações extravagantes, Roberth aparecia cercado por maços de notas de R$ 100 dentro de uma banheira de hidromassagem, apresentando-se como um mentor que supostamente criticava os chamados “vendedores de sonhos” da internet. Contraditoriamente, ele próprio se tornou o principal foco da apuração, que revelou um esquema baseado em fraudes digitais e uma ostentação totalmente forjada, explorando a vulnerabilidade financeira de seus seguidores.

Esquema milionário: como as vítimas eram enganadas

A complexa operação policial resultou no pedido de bloqueio de R$ 11 milhões e no cumprimento de mandados de busca e apreensão em sete unidades da Federação: Distrito Federal, Goiás, São Paulo, Maranhão, Paraíba, Rio de Janeiro e Bahia, demonstrando a capilaridade da fraude.

As investigações detalham que o estilo de vida luxuoso exibido por Roberth e sua namorada era sustentado por um sistema de fraudes meticulosamente planejado. O casal utilizava contas de demonstração (“demo”) fornecidas por plataformas de apostas, onde os ganhos são previamente programados para parecerem elevados, criando a falsa impressão de que o lucro era fácil e garantido.

Ao acessar os links divulgados pelos investigados, as vítimas eram direcionadas a plataformas manipuladas. Algoritmos garantiam a perda do dinheiro investido, enquanto o grupo criminoso lucrava massivamente com comissões sobre cada prejuízo alheio e com o recrutamento incessante de novos usuários. Era uma máquina de enriquecimento ilícito às custas da esperança de pessoas.

A apuração também apontou que o esquema funcionava como uma organização criminosa estruturada, com divisão clara de tarefas entre os integrantes para maximizar a exploração. Para dificultar qualquer rastreamento e evadir a justiça, eram utilizadas tecnologias como servidores proxy para ocultação de identidade, além do uso de CPFs de terceiros na movimentação financeira, revelando um alto grau de sofisticação e premeditação.

Diante das evidências esmagadoras, a Justiça determinou o bloqueio imediato das contas dos envolvidos. Os investigados poderão responder por crimes graves como organização criminosa, estelionato e lavagem de dinheiro, enfrentando as consequências de suas ações. A PCDF continua analisando os dispositivos eletrônicos apreendidos e não descarta a possibilidade de novas prisões. A população pode e deve colaborar com denúncias anônimas por meio dos canais oficiais, ajudando a combater crimes que minam a confiança e a segurança financeira de todos.

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