EXPANSÃO NACIONAL
PCC e CV superam McDonald's em presença estadual; EUA classificam facções como terroristas
Facções criminosas atuam em 25 Estados e no DF, superando a rede de fast-food. Decisão dos EUA visa intensificar repressão.
O Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) estão presentes em mais Estados brasileiros do que a rede de fast-food McDonald’s. Na sexta-feira, 5 de junho de 2026, o Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou a classificação de ambas as facções criminosas como “organizações terroristas estrangeiras”. A decisão, que visa intensificar ações de fiscalização e repressão a possíveis vínculos com as organizações, reflete a abrangência territorial das facções, que atuam em 25 dos 26 Estados brasileiros e no Distrito Federal.
Em contraste, a rede McDonald’s possui unidades em 23 Estados e no DF, com Acre, Amapá e Roraima sendo as únicas exceções. Essa comparação evidencia a profunda penetração territorial das facções criminosas no território nacional, que somam mais de 40.000 integrantes e movimentam anualmente mais de R$ 6 bilhões, segundo dados do Mapa das Organizações Criminosas de 2024 do Ministério da Justiça.

A classificação do PCC e CV como FTOs (Foreign Terrorist Organizations) pelo governo norte-americano foi divulgada em 28 de maio de 2026, após um encontro entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o presidente Donald Trump (Partido Republicano) na Casa Branca. Essa medida possibilita que os EUA adotem ações mais incisivas contra indivíduos e empresas com ligações, diretas ou indiretas, com as facções.
Especialistas em Direito Internacional, como o professor Vladimir Aras da UNB, apontam que os impactos práticos imediatos da decisão no combate às facções brasileiras podem ser limitados. Embora a classificação fortaleça o debate público e internacional, o Brasil já dispõe de leis mais eficazes, como a Lei Antifacção (Lei 15.358 de 2026), que prevê penas mais severas do que a legislação antiterrorismo, com possibilidade de até 40 anos de prisão para líderes criminosos.
Aras ressalta que a aplicação de leis antiterrorismo poderia, paradoxalmente, concentrar o combate na esfera federal, enfraquecendo a atuação dos Estados. Ele sugere que o fortalecimento da cooperação internacional e o intercâmbio de informações entre agências são caminhos mais efetivos para deter o avanço dessas organizações.
PCC: Estrutura, Financiamento e Alcance
Fundado em 1993 na Casa de Custódia de Taubaté (SP), o PCC se consolidou como a maior organização criminosa do Brasil. Com cerca de 40.000 integrantes e faturamento anual estimado em R$ 6 bilhões, a facção opera principalmente através do tráfico de drogas, mas também se beneficia de roubos de carga, assaltos a bancos e sequestros. Sua expansão inclui braços em países vizinhos, como Bolívia, Paraguai e Colômbia, controlando rotas de tráfico internacionais. O PCC demonstrou capacidade de adaptação, chegando a influenciar o mercado financeiro, como investigações sobre a Reag Investimentos revelaram em 28 de agosto de 2025, por suspeita de lavagem de dinheiro.
Marcas da facção incluem execuções públicas, guerras territoriais e controle sobre comunidades. O grupo também é conhecido por sua organização interna, com diretrizes rígidas e até processos de filiação, apesar de líderes terem sido presos, como Marcos Willians Herbas Camacho (Marcola), o crescimento de sua influência permaneceu constante.
Comando Vermelho: Origem, Operação e Disputas
Originário do presídio Cândido Mendes, na Ilha Grande (RJ), no fim da década de 1970, o Comando Vermelho nasceu do convívio entre presos comuns e militantes políticos. Sua estrutura é mais descentralizada que a do PCC, sem processos formais de filiação ou uma lista única de membros. A identificação com o CV ocorre frequentemente de forma orgânica, entre grupos ligados ao tráfico em áreas controladas pela facção.
A ascensão do CV está ligada à rota internacional da cocaína, permitindo sua consolidação nas favelas cariocas e ampliação de influência sobre comunidades. No Rio de Janeiro, a facção disputa território e rotas de tráfico com outros grupos, como milícias e o Terceiro Comando Puro. Uma megaoperação policial em outubro de 2025, que resultou em 122 mortes nos complexos do Alemão e da Penha, evidenciou a violência e a complexidade do cenário de segurança pública no estado.
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