TENSÃO NO ORIENTE MÉDIO
Paulo Filho: Irã busca unificar frentes libanesa e nuclear contra Israel
Especialista em Ciências Militares analisa estratégia iraniana de entrelaçar conflitos e a cautela dos EUA para evitar escalada.
O Irã busca unificar as frentes de atuação no Líbano e a questão nuclear em um único conflito, contrariando os objetivos de Israel de manter essas questões separadas. A análise é do mestre em Ciências Militares, Paulo Filho, em entrevista ao WW sobre os ataques trocados entre EUA e Irã na terça-feira, 10/06/2026.
O episódio mais recente, segundo o especialista, tem origem nos ataques iranianos a Israel ocorridos no fim de semana, uma ação inédita. "Foi a primeira vez que o Irã atacou Israel sem ter sido atacado no seu próprio território", destacou Paulo Filho. A ofensiva iraniana teria sido motivada pelos ataques israelenses a Beirute, capital do Líbano.
Israel tem tentado dissociar o conflito com o Hezbollah da questão nuclear iraniana e do Estreito de Ormuz. O objetivo seria garantir liberdade de ação para atuar no Líbano sem provocar uma resposta americana relacionada ao programa nuclear do Irã.
"Só que isso não é possível", afirmou o especialista, explicando que o Irã tem interesse justamente em manter as duas frentes entrelaçadas.
Diante dos ataques mútuos entre Israel e Irã, o presidente americano, Donald Trump, agiu com firmeza sobre ambos os lados para interromper os confrontos e preservar um ambiente favorável às negociações.
No entanto, logo em seguida, um drone abateu um helicóptero Apache americano. O episódio foi descrito por Paulo Filho como incomum e ainda pouco esclarecido. "Do ponto de vista militar, é bem inédita, é bem incomum um drone abater um helicóptero Apache, isso vai ter que ser esclarecido", disse.
Diante do abate do helicóptero, Trump viu-se obrigado a responder, mas optou por uma reação contida. Segundo Paulo Filho, a intenção foi dar uma satisfação à opinião pública norte-americana sem escalar as tensões com Teerã.
"Ele faz o ataque de forma limitada, esperando que o Irã contra-ataque também de forma limitada, de modo a manter as negociações", explicou o especialista.
Paulo Filho alertou, no entanto, que o equilíbrio é extremamente delicado. Incidentes como o do helicóptero Apache podem facilmente levar a uma escalada indesejada.
Ele ressaltou ainda que o Irã mantém uma grande liberdade de ação na região, em parte por sua capacidade de fechar o Estreito de Ormuz – o que representa, segundo ele, "um enorme trunfo para o governo iraniano".
Gostou desta notícia?
Entre no nosso grupo do WhatsApp!
Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!
📲 Quero entrar no grupo
Comentários (0)
Deixe seu comentário