VIDA DAS MULHERES

Pastora Helena Raquel se manifesta: "Quem agride, mata" em apelo contra violência doméstica

Helena Raquel falando em um púlpito para uma grande plateia no Congresso dos Gideões
Pastora Helena Raquel durante o Congresso dos Gideões, onde proferiu fala que viralizou

Declaração viraliza e acende debate nacional sobre proteção de vítimas em meio a estatísticas alarmantes de feminicídio.

A pastora Helena Raquel, uma das vozes mais influentes do meio evangélico, fez um contundente apelo contra a violência doméstica no último sábado, 2 de maio de 2026, durante o Congresso dos Gideões em Camboriú. Diante de milhares de fiéis, a líder religiosa encorajou mulheres vítimas de agressão a romperem o silêncio, buscarem ajuda e priorizarem sua segurança. A declaração, que viralizou rapidamente nas redes sociais com milhões de visualizações, acende um debate urgente sobre a proteção da dignidade e da vida feminina, especialmente em um contexto de números alarmantes de feminicídio no Brasil.

Em meio a uma plateia atenta, a pastora ressaltou a urgência de agir frente à violência. Com a força de um clamor, Helena Raquel enfatizou que mulheres em situação de violência devem buscar ajuda imediatamente, encontrar um lugar seguro e denunciar o agressor o quanto antes. “Quem agride, mata”, sentenciou a pastora, uma frase que ecoou e rapidamente se espalhou pelas plataformas digitais.

A mensagem não se limitou a um alerta, mas se aprofundou na necessidade de uma mudança de mentalidade. Helena Raquel criticou a prática comum de concentrar orações apenas na transformação do agressor, incentivando as mulheres a focarem em sua própria proteção e sobrevivência. Essa perspectiva, segundo a líder, visa empoderar as vítimas a tomarem atitudes concretas para salvaguardar suas vidas.

Crítica à cultura do silêncio em ambientes religiosos

Um dos pontos mais sensíveis abordados pela pastora foi a cultura do silêncio que, por vezes, permeia comunidades religiosas. Ela criticou a orientação para que vítimas não denunciem casos de violência para evitar “escândalos” dentro das igrejas. A pastora Helena Raquel expôs como muitas mulheres acabam sendo pressionadas ao silêncio, mesmo diante de agressões físicas, psicológicas ou sexuais, o que agrava ainda mais a situação de vulnerabilidade.

A líder evangélica pontuou que seu posicionamento firme não advém apenas de sua atuação ministerial, mas também de experiências e observações pessoais ao longo de sua vida no ambiente cristão, o que confere ainda mais credibilidade e sensibilidade à sua fala.

Quem é Helena Raquel?

Com mais de 1,7 milhão de seguidores nas redes sociais, Helena Raquel é uma figura de destaque no cenário evangélico. Ela fundou o Ministério Pastoras do Brasil e lidera a Igreja Assembleia de Deus Vida na Palavra, sediada em Queimados. Nacionalmente reconhecida por suas palestras e livros direcionados ao público feminino cristão, a pastora frequentemente participa de congressos evangélicos em diversos estados brasileiros, utilizando sua plataforma para pautas relevantes.

O Congresso dos Gideões Missionários da Última Hora é um dos maiores encontros evangélicos do Brasil, atraindo anualmente caravanas, líderes religiosos e autoridades políticas. A edição deste ano, que reuniu mais de 200 mil pessoas, contou com a presença do deputado federal Marco Feliciano. Em edições anteriores, o evento também recebeu o ex-presidente Jair Bolsonaro, sublinhando a relevância política e social do congresso.

Brasil: números alarmantes de feminicídio

A repercussão da poderosa mensagem de Helena Raquel ocorre em um momento crítico, marcado pelo aumento da violência contra a mulher no país. Dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública revelam que o Brasil registrou 1.470 feminicídios em 2025, o maior número da série histórica recente, superando os 1.464 casos contabilizados em 2024. Esses números frios representam vidas ceifadas e famílias destruídas, sublinhando a urgência do debate.

Em Santa Catarina, a situação é igualmente preocupante:

  • 52 mulheres foram vítimas de feminicídio no estado em 2025.
  • Quase 29% dos processos julgados envolvem violência doméstica.
  • A média foi superior a 110 processos por dia.

Essas estatísticas reforçam a gravidade da violência contra a mulher em todo o território nacional. A fala da pastora, com seu tom direto e corajoso, transformou-se em um dos assuntos mais debatidos entre religiosos nas redes sociais, quebrando o silêncio em torno de um tema historicamente delicado em parte dos ambientes religiosos.

Classificação Indicativa: Livre

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