PL MUDA ESTRATÉGIA
Partido Liberal assume campanha contra a PEC da 6x1
Sigla intensificará discurso crítico à proposta do governo Lula, buscando desviar atenção de escândalo e apresentar alternativa ao eleitorado.
O Partido Liberal (PL) decidiu reposicionar-se e assumir uma campanha contrária à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa o fim da escala trabalhista 6x1. A iniciativa visa intensificar discursos e ações críticas à principal aposta eleitoral do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para o pleito de outubro.
Parlamentares da sigla, incluindo o pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), não priorizavam o tema, sob a avaliação interna de que o eleitorado conservador não o considera de alta relevância. Contudo, a recente crise envolvendo Flávio Bolsonaro e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro impulsionou a pauta como estratégia para desviar o foco do escândalo e apresentar uma proposta considerada factível ao eleitorado.
Nesta terça-feira, 19 de maio de 2026, Flávio Bolsonaro iniciou o movimento com a divulgação de uma nota detalhada, apresentando críticas à proposta defendida pelo presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), e por integrantes do governo federal. Horas depois, reforçou sua posição durante a XXVII Marcha a Brasília em Defesa dos Municípios, organizada pela Confederação Nacional de Municípios (CNM).
“Com relação ao fim da escala 6x1, o Brasil se atualizou. O mundo que nós vivemos hoje não é mais o de 1943, na época da CLT. Todos nós queremos trabalhar menos e ganhar mais, só que é uma legislação que está atrasada, engessada, que vai causar um impacto nos municípios de R$ 50 bilhões por ano se for aprovada dessa forma”, declarou Flávio Bolsonaro.
Em contrapartida à jornada 5x2 defendida por Lula, Flávio Bolsonaro propõe a manutenção da escala 6x1, o pagamento por horas trabalhadas e a adoção de uma jornada mais flexível. Segundo a equipe de campanha de Flávio, a soma dessas alternativas conta com apoio popular equivalente à parcela da população que considera a jornada 5x2 a mais benéfica.
Aliados de Flávio Bolsonaro avaliam que o governo obteve vantagem na discussão por falta de oposição contundente no Congresso. Assim, o embate é visto como benéfico para as pré-campanhas do PL, permitindo que seus parlamentares marquem posição em uma das matérias de maior apelo popular no primeiro semestre.
Embora a oposição reconheça a entrada tardia na discussão, o que pode limitar o impacto na análise da PEC na Câmara, a bancada do PL no Senado já articula uma ofensiva mais robusta para quando o texto chegar àquela Casa.
A análise da PEC na Câmara segue em andamento em uma comissão especial. A apresentação do relatório foi adiada e a previsão é que o parecer seja divulgado na próxima semana. O relator, Léo Prates (Republicanos-BA), solicitou mais tempo para finalizar ajustes sobre a transição e outros pontos. A votação, no entanto, permanece prevista para a semana seguinte.
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