NOVA ERA MINERAL

Ouro e tungstênio transformam a balança comercial mineral do RN

Vista panorâmica de operação de extração mineral no Rio Grande do Norte.
Extração de minério na região do Seridó, no Rio Grande do Norte — Reprodução/Acdmin

Operação da Mina Borborema em Currais Novos alça estado ao topo das exportações enquanto valorização do tungstênio impulsiona receitas locais.

O Rio Grande do Norte consolidou uma mudança profunda em sua economia mineral com a ascensão do ouro e a valorização expressiva do tungstênio no mercado externo. A estratégia, consolidada a partir da entrada em operação da Mina Borborema, em Currais Novos, diversificou a pauta exportadora potiguar e elevou o estado a um novo patamar competitivo no cenário nacional.

Entre janeiro e junho de 2026, as vendas externas de ouro somaram US$ 157,5 milhões, representando 24,6% de tudo o que foi exportado pelo estado no período. O resultado posiciona o RN como o sexto maior exportador do metal no Brasil, superando marcas históricas que, entre 2020 e 2024, não ultrapassavam US$ 5,5 milhões acumulados.

O impacto socioeconômico dessa transição é imediato, alterando a dinâmica de arrecadação da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM). O ouro tornou-se a principal fonte desta receita, seguido pelo tungstênio, que viu sua importância crescer após uma valorização de 356% no preço internacional do quilo, saltando de US$ 19,22 para US$ 76,98 no primeiro semestre de 2026.

Enquanto o ouro e o tungstênio trazem divisas de alto valor agregado com menor volume físico, o sal marinho — pilar tradicional da mineração estadual — mantém sua relevância pelo volume, mas enfrenta desafios de competitividade no preço por tonelada. Em 2025, o sal movimentou 894,3 milhões de kg, porém com uma receita de US$ 18,4 milhões, evidenciando a necessidade de maior agregação de valor aos produtos locais.

O setor enfrenta agora o desafio da concentração de mercado. Com o Canadá e a Suíça figurando como principais destinos do ouro potiguar, o estado torna-se suscetível às flutuações de preços e às regras logísticas internacionais desses polos de refino. Paralelamente, projetos como a estruturação da cadeia de ferro visam expandir as fronteiras minerais potiguares, buscando aliar a exploração à eficiência logística portuária.

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