PROTEÇÃO AO CONSUMIDOR

Órgãos do Espírito Santo propõem que bets informem risco de perda

Fachada do Ministério Público do Espírito Santo
Sede do Ministério Público do Espírito Santo (MPES) — Foto: TV Gazeta

Proposta ao Ministério da Fazenda exige que plataformas exibam probabilidades de prejuízo com o mesmo destaque das ofertas de ganho.

Órgãos de defesa do consumidor do Espírito Santo formalizaram, na última semana, uma proposta ao Ministério da Fazenda para tornar obrigatória a exibição clara do risco de perda nas plataformas de apostas online. A medida busca combater a publicidade enganosa por omissão, garantindo que o apostador tenha acesso a dados reais sobre suas chances financeiras antes de confirmar qualquer transação.

A iniciativa foi articulada pelo Centro Integrado de Defesa do Consumidor do Espírito Santo (CINDEC). Segundo a promotora de Justiça Sandra Lengruber da Silva, do Ministério Público do Espírito Santo (MPES), a legislação vigente, especificamente o Código de Defesa do Consumidor, já exige transparência, mas a prática atual das bets ignora esse dever ao omitir a probabilidade de prejuízo.

Transparência como norma

O grupo de trabalho sugere três pilares para a regulamentação:

  • Fórmula matemática obrigatória: Criação de um padrão governamental para calcular a probabilidade de perda com base nas cotas (odds).
  • Contrabalanço informacional: A chance de perda deve possuir o mesmo destaque visual — cor, fonte e tamanho — que o valor do prêmio prometido.
  • Alerta de alto risco: Para apostas com risco superior a 80%, o sistema deverá emitir um aviso explícito antes da finalização.

Sandra Lengruber ilustra a necessidade da medida citando casos onde odds elevadas, como 17 vezes o valor apostado, escondem riscos reais de perda de 94%. "O consumidor foca no ganho possível e ignora que a chance estatística de derrota é altíssima", afirma a promotora.

O documento conta com o respaldo do Procon-ES, da Delegacia Especializada de Defesa do Consumidor (Decon), da Defensoria Pública do Estado e da Procuradoria-Geral do Estado. Embora não haja prazo definido para resposta, o grupo busca que a Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA/MF) incorpore essas diretrizes em atos normativos futuros.

Em nota, a Secretaria de Prêmios e Apostas informou que monitora o setor continuamente e que a proposta está sob análise dentro da agenda de aperfeiçoamento da regulamentação para garantir o jogo responsável.

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