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Operação Carbono Oculto: Justiça investiga fintechs suspeitas de lavar R$ 26 bilhões para o PCC

Operação investiga se fintechs movimentaram R$ 26 bilhões de facções criminosas
Operação investiga se fintechs movimentaram R$ 26 bilhões de facções criminosas

Segunda fase da operação mira movimentações financeiras de até R$ 26 bilhões. Força-tarefa desvendou seis novas instituições de pagamento.

Uma força-tarefa integrada pela Receita Federal e pelo Ministério Público deflagrou, na manhã desta quinta-feira, 28 de maio de 2026, a segunda fase da Operação Carbono Oculto. A ação investiga se fintechs estão sendo utilizadas para lavar dinheiro de organizações criminosas, com relatórios de inteligência apontando movimentações financeiras suspeitas que somam quase R$ 26 bilhões. A descoberta impacta diretamente a sociedade, ao expor como esquemas criminosos buscam se infiltrar e corromper o sistema financeiro, prejudicando a dignidade e a segurança econômica dos cidadãos.

A operação, que reuniu diversas instituições do estado de São Paulo – como a Secretaria da Fazenda, o Ministério Público, a Procuradoria-Geral e as polícias Civil e Militar, além da Receita Federal e da Agência Nacional do Petróleo –, realizou buscas e apreensões em locais estratégicos, incluindo prédios na Faria Lima, em São Paulo, e estendeu-se a mais quatro estados: Rio de Janeiro, Paraná, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul. Esta é a segunda etapa da Operação Carbono Oculto, que em agosto de 2025 já havia revelado como o crime organizado utilizava o sistema financeiro para ocultar a origem de recursos, indicando que essa prática criminosa não cessou.

"A operação de hoje mostra esse sofisticado esquema, continuidade de um sofisticado esquema de fraude criminoso e lavagem de dinheiro”, destacou Paulo Sérgio Costa, procurador-geral de Justiça de SP. Segundo os promotores, mesmo cientes de estarem sob investigação desde a operação anterior, os envolvidos retomaram as atividades ilícitas. Foram abertas novas empresas em nome de laranjas, incluindo pessoas em situação de vulnerabilidade social e indivíduos já condenados, além da busca por novas fintechs para operacionalizar o esquema.

A investigação aponta que o dinheiro originado de postos de combustíveis controlados pelo crime organizado era direcionado a uma conta-bolsão. Essa prática, realizada por meio de instituições de pagamento em bancos tradicionais, permitia ocultar a origem, o destino e os verdadeiros proprietários dos recursos. A regulamentação que passou a equiparar, desde agosto de 2025, as regras tributárias de fintechs às de bancos tradicionais – obrigando-as a informar movimentações financeiras de clientes à Receita Federal – foi crucial para identificar seis novas instituições de pagamento envolvidas.

"Foram desvendadas seis fintechs que movimentaram R$ 26 bilhões. Só uma delas movimentou em dinheiro mais de R$ 1 bilhão, em dinheiro vivo, o que nem deveria ser possível no caso das fintechs”, explicou Robinson Barreirinhas, secretário da Receita Federal. As evidências conectam duas das fintechs investigadas ao PCC, com uma delas associada a um investigado da facção e a outra a um alvo de operações anteriores contra a chamada máfia dos ônibus. "É o fenômeno que a gente vem identificando das convergências criminosas. Essas fintechs estão sendo exploradas não apenas por essa organização criminosa, como por outros grupos criminosos também. Diversas organizações criminosas compartilhando os mesmos espaços de fluxo financeiro”, pontuou João Paulo Gabriel, promotor de Justiça.

As atividades ilícitas não se limitaram ao sistema financeiro. Produtoras de solventes emitiam notas fiscais falsas para empresas de fachada, em uma fraude já desvendada em 2025. O destino real era a adulteração de gasolina em terminais, com a adição de nafta, um derivado do petróleo. Estima-se que a fraude com combustíveis tenha gerado um prejuízo de R$ 4 bilhões, afetando o mercado e os consumidores. "Pouco mais de 2,5 milhões de litros de gasolina adulterada com essa nafta, que iria, de outra forma, se não fosse feito esse trabalho, chegar aos consumidores”, alertou Júlio Nishida, supervisor de fiscalização do abastecimento da Agência Nacional do Petróleo.

Durante as ações desta quinta-feira, 28 de maio de 2026, equipes apreenderam equipamentos eletrônicos, documentos e dinheiro em espécie em diversas moedas. "A Receita Federal tem trabalhado fortemente para fazer o combate às organizações criminosas, olhando a parte financeira que abastece e dá oxigênio para o crime organizado. Essas fintechs foram identificadas dadas as informações que a Receita passou a receber em meados de 2025. Também identificamos a utilização de criptoativos para fins de lavagem de dinheiro, e vamos seguir avançando com essas operações”, afirmou Dario Durigan, ministro da Fazenda. Os empresários Mohamad Hussein Mourad e Roberto Augusto Leme da Silva, apontados como líderes do esquema, permanecem foragidos. A defesa de ambos não comentou o caso.

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