PCC NA MIRA
Operação Carbono Oculto: Dinheiro em espécie e moedas estrangeiras apreendidos em nova fase contra lavagem de dinheiro do PCC
A Operação Fluxo Oculto, nesta quinta-feira (28), desmantelou esquema de lavagem de dinheiro e sonegação fiscal com conexões no setor de combustíveis. Foram apreendidos reais, dólares, euros e até rand sul-africano.
A força-tarefa da Operação Fluxo Oculto apreendeu nesta quinta-feira (28) dinheiro em espécie em diferentes moedas durante o cumprimento de mandados da nova fase da Operação Carbono Oculto, que apura a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no setor de combustíveis. Investigadores encontraram maços de cédulas em reais, dólares, euros e até rand sul-africano, moeda oficial da África do Sul, além de passaportes. O valor total apreendido ainda não havia sido divulgado pelas autoridades.
A operação, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo, em conjunto com a Receita Federal, cumpre 60 mandados de busca e apreensão em cinco estados: São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul. A investigação desbarata um suposto esquema de lavagem de dinheiro, adulteração de combustíveis e sonegação fiscal que, segundo o MP, continuou operando mesmo após a primeira fase da Operação Carbono Oculto, deflagrada em agosto de 2025.
O grupo criminoso utilizava fintechs e empresas de fachada para movimentar recursos e ocultar patrimônio. A investigação aponta que os principais alvos são empresários, operadores logísticos e 'laranjas' que mantiveram suas atividades ilícitas mesmo após operações anteriores, demonstrando alto grau de organização. Para despistar a fiscalização, as operações de 56 postos de combustíveis eram concentradas em uma única conta bancária. Além disso, o esquema migrou recursos entre diversas fintechs e utilizou novas empresas para substituir aquelas já expostas pela polícia.
O PCC é apontado como beneficiário indireto das movimentações financeiras, integrando o mesmo ecossistema financeiro ilegal e utilizando as mesmas fintechs para lavagem e ocultação de recursos. A investigação revelou a convergência criminal, com compartilhamento de estruturas entre grupos. Instituições como SISPAY e VPAY, com histórico de fraudes, também foram vinculadas ao PCC. Ricardo Romano foi identificado como uma pessoa ligada diretamente à facção dentro da estrutura financeira. A tentativa de acordo de delação premiada dos líderes do esquema, Mohamad Hussein Mourad (o "Primo") e Roberto Augusto Leme da Silva (o "Beto Louco"), foi rejeitada pelo MP, que considerou que os empresários omitiram informações cruciais sobre lavagem de dinheiro, conexões com o PCC e corrupção policial.
Relatórios de inteligência financeira indicaram movimentações atípicas e suspeitas de quase R$ 4 bilhões, com o uso de fintechs e plataformas de pagamento funcionando como "dutos financeiros" para o grupo. Em outras frentes, a operação desta quinta-feira também mirou empresas e pessoas envolvidas na "máfia do nafta" e na adulteração de combustíveis. Este esquema desviava solventes petroquímicos importados, com tributação inferior, para serem vendidos ilegalmente como gasolina automotiva. O prejuízo com a sonegação fiscal nessa frente é estimado em mais de R$ 200 milhões.
A terceira frente da operação investiga a ocultação patrimonial por meio de fundos de investimentos. O grupo utilizava Fundos de Investimento em Direitos Creditórios Não Padronizados (FIDC-NP) para liquidar operações fraudulentas e mascarar os beneficiários do lucro. Para o bloqueio de bens, a operação mirou o patrimônio líquido de fundos como Zeus FIDC-NP (R$ 85 milhões), Gran Capital FIDC-NP (R$ 72 milhões) e DB Crédito Global (R$ 47 milhões), que serviam como dutos financeiros.
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