JUSTIÇA E DIGNIDADE
ONU exige libertação de ativistas presos em Israel após flotilha humanitária
Thiago Ávila e Saif Abu Keshek detidos, com decisão judicial que prorrogou a prisão; Adalah denuncia maus-tratos. Morte da mãe de Ávila adiciona tragédia pessoal à crise.
A Organização das Nações Unidas (ONU) demandou, nesta quarta-feira, 06/05/2026, a imediata libertação do ativista brasileiro Thiago Ávila e do espanhol-palestino Saif Abu Keshek, ambos detidos em Israel. A exigência da ONU surge após a prorrogação da prisão preventiva dos ativistas por um tribunal israelense, que rejeitou um recurso, mantendo-os sob custódia até 10/05/2026, mesmo diante de acusações de maus-tratos e da urgência humanitária na Faixa de Gaza que motivou sua missão. A situação gera grande apreensão internacional e familiar, especialmente após a notícia do falecimento da mãe de Ávila no Brasil durante sua detenção.
"Não é crime demonstrar solidariedade e tentar levar ajuda humanitária à população palestina de Gaza, que precisa urgentemente", declarou o porta-voz do Escritório de Direitos Humanos da ONU, Thameen Al-Kheetan, em comunicado oficial. Esta posição sublinha o entendimento da ONU de que a missão dos ativistas está em conformidade com princípios humanitários.
O grupo israelense de direitos humanos Adalah, que representa Ávila e Keshek, qualificou a prisão como ilegal e denunciou que os dois sofreram maus-tratos. A ONG afirma que eles foram submetidos a longos interrogatórios, mantidos em celas permanentemente iluminadas e forçados a usar vendas nos olhos durante deslocamentos, inclusive em visitas médicas. Tel Aviv, por sua vez, nega veementemente as acusações. Em resposta às graves denúncias, a ONU apelou para que as circunstâncias sejam rigorosamente investigadas.
Um triste desdobramento marcou a noite de 05/05/2026: a mãe de Thiago Ávila, Teresa Regina de Ávila e Silva, de 63 anos, faleceu em Brasília. A causa da morte não foi divulgada, e informações sobre o sepultamento e velório ainda são aguardadas, adicionando uma camada de dor pessoal à injusta detenção do ativista.
Ávila e Keshek compareceram perante uma corte em Ashkelon, a 60 km de Tel Aviv, em 05/05/2026. A advogada Hadeel Abu Salih, do Adalah, explicou que a detenção foi estendida após a polícia solicitar mais tempo para os interrogatórios.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também expressou forte condenação à decisão do tribunal em 05/05/2026, exigindo a libertação dos ativistas por meio de uma publicação nas redes sociais. "Manter a prisão do cidadão brasileiro Thiago Ávila, integrante da flotilha 'Global Sumud', é uma ação injustificável do governo de Israel, causa grande preocupação e deve ser condenada por todos", afirmou o presidente.
Documentos judiciais revelam que Israel acusa os ativistas de crimes como filiação a uma organização terrorista e assistência ao terrorismo em período de guerra, acusações que ambos refutam. As penas para tais delitos podem alcançar 20 anos de prisão.
A flotilha "Global Sumud", composta por mais de 50 embarcações, partiu de França, Espanha e Itália com o objetivo declarado de romper o bloqueio israelense à Faixa de Gaza e entregar suprimentos essenciais ao território palestino devastado. Forças israelenses interceptaram as embarcações em águas internacionais, na costa da Grécia, na madrugada de 30/04/2026.
Saif Abu Keshek e Thiago Ávila foram os únicos detidos, enquanto outros 175 ativistas de múltiplas nacionalidades foram libertados na Grécia. Antes da extensão da prisão, o Itamaraty e o governo espanhol emitiram uma nota conjunta criticando o que classificaram como "sequestro de dois de seus cidadãos em águas internacionais por parte do governo de Israel".
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