ALERTA GLOBAL DA ONU

ONU alerta para a pior crise do Haiti no hemisfério ocidental

Gangues armadas em ação no Haiti
Imagem colorida mostra gangues no Haiti

António Guterres descreve situação humanitária como a mais grave nas Américas, comparável a conflitos no Sudão e Territórios Palestinos. Violência de gangues afeta 11,7 milhões de pessoas.

A crise no Haiti atingiu um patamar alarmante, sendo descrita pelo Secretário-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, como a mais grave do hemisfério ocidental. Em visita ao país caribenho nesta quinta-feira, 18/06/2026, Guterres comparou a situação humanitária a conflitos em outras regiões do globo, como Sudão e Territórios Palestinos, evidenciando a urgência da situação.

A violência perpetrada por gangues é apontada como o principal motor da crise, aterrorizando a população e forçando 1,5 milhão de haitianos a deixarem suas casas em busca de segurança no interior do país. A consequência direta é que mais da metade dos 11,7 milhões de habitantes dependem de ajuda humanitária para suprir suas necessidades básicas de alimentação. "Cada dia é uma luta pela sobrevivência", Guterres relatou, mencionando ter conversado com muitos haitianos que conseguem apenas uma refeição diária.

Os números são devastadores: 2,3 mil mortos apenas neste ano, segundo a ONU. Em 2024, o Haiti já figurava como o país com a maior taxa de homicídios do mundo, de acordo com levantamento da ONG Igarapé. O primeiro trimestre de 2025 registrou, em média, mais de 20 mulheres e meninas agredidas diariamente, e o número de crianças recrutadas por gangues triplicou, com uma alarmante estatística de que um em cada dois membros de gangues agora é criança.

Guterres também expressou forte crítica à "indiferença" da comunidade internacional diante do sofrimento do Haiti, o país mais pobre das Américas, que há anos convive com a instabilidade e a ação desenfreada de gangues que se dedicam a assassinatos, estupros, saques e sequestros. "As instituições foram enfraquecidas", reconheceu, "mas a maior vergonha é a indiferença – a indiferença de um mundo que tem olhado para o outro lado."

O plano de resposta da ONU para o Haiti é, tragicamente, o menos financiado entre todos os programas humanitários da organização. Até o momento, apenas 24% dos US$ 880 milhões necessários foram arrecadados para mitigar a crise. "O Haiti não pede caridade. O Haiti pede que o mundo cumpra sua palavra. E o Haiti não pode esperar", declarou o Secretário-Geral.

Uma esperança reside na Força de Repressão de Gangues (GSF), aprovada pela ONU em setembro de 2025 com o objetivo de combater a violência armada e restabelecer a autoridade do Estado, com um efetivo máximo previsto de 5,5 mil soldados. Até agora, Jamaica, Chade, El Salvador e Guatemala enviaram menos de mil soldados, com previsão de início de operações nas próximas semanas, atuando em conjunto com a polícia nacional e as Forças Armadas. Guterres observou a ausência de contribuições de países desenvolvidos, apelando para que nações em desenvolvimento participem de tais operações.

A instabilidade política e a falta de eleições desde 2016 agravam o cenário. A crise de segurança intensificou-se no início de 2024 com uma onda de violência que levou à renúncia do então primeiro-ministro, seguido pela ascensão de um conselho presidencial interino. Após a expiração deste mandato em fevereiro, o poder executivo recaiu sobre o atual primeiro-ministro, Alix Didier Fils-Aimé, que recebeu Guterres em sua chegada.

A localização geográfica estratégica do Haiti, com extensas fronteiras terrestres e marítimas, além de inúmeros portos e aeródromos, o torna particularmente vulnerável ao tráfico ilegal de armas, munições e drogas. A dependência de importações em quase todos os setores econômicos também facilita o contrabando. Gangues controlam cadeias de suprimentos, extorquem rotas de transporte e desviam recursos, desestabilizando a economia e se impondo pela força, sendo muitas vezes mais bem armadas que as próprias forças de segurança.

Gostou desta notícia?

Entre no nosso grupo do WhatsApp!

Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!

📲 Quero entrar no grupo

Compartilhe esta matéria

Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar!

Deixe seu comentário