CORTES DE ENERGIA

ONS limita 16.001 MW no Nordeste em dia de jogo do Brasil

Painéis solares em um campo.
Energia solar é a segunda maior fonte de energia brasileira, com 17,4% de participação na matriz energética, segundo a Absolar.

Redução de geração renovável supera potência de Itaipu e Belo Monte, levando o ONS a limitar a produção para evitar instabilidade no Sistema Interligado Nacional. A prática, conhecida como curtailment, é discutida na Aneel.

Uma redução máxima de 16.001 MW na geração renovável foi registrada no Nordeste na segunda-feira, 29 de junho de 2026. A decisão, tomada pelo ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico), ocorreu no mesmo dia da partida entre a seleção brasileira e a do Japão pela Copa do Mundo. Este volume supera a potência instalada de Itaipu (14.000 MW) e de Belo Monte (11.233 MW), as duas maiores usinas hidrelétricas do Brasil, e levanta questões sobre o impacto de grandes eventos no fornecimento de energia.

A queda abrupta na demanda de energia elétrica, usualmente observada durante jogos da seleção, quando empresas liberam funcionários e o consumo se concentra em determinados locais, provocou um desequilíbrio. Combinada com a alta produção de fontes eólicas e solares, essa alteração no padrão de consumo gerou um excedente de energia que a rede não conseguiu absorver ou escoar. Esse fenômeno, conhecido no setor como curtailment, é a limitação da geração de energia pelo operador do sistema para prevenir panes no SIN (Sistema Interligado Nacional).

No Brasil, o curtailment afeta predominantemente fontes renováveis, como usinas eólicas e solares. O impacto é mais acentuado no Nordeste, região onde esses empreendimentos possuem grande relevância na matriz elétrica. O ONS detalhou que a restrição de 29 de junho ocorreu durante todo o dia na região, das 0h às 23h59, sob justificativas de controle de inequações regionais, fluxos sistêmicos, intervenções em andamento e controle de frequência.

O relatório do ONS também apontou restrições em outras regiões: no Sudeste/Centro-Oeste, o corte máximo foi de 5.609 MW entre 9h01 e 16h48; no Norte, de 238 MW, entre 9h01 e 16h22. No Sul, houve limitação de geração entre 9h28 e 16h21, sem especificação de valor máximo. Vale destacar que a redução de 16.001 MW no Nordeste ocorreu um dia após a região registrar um curtailment de 14.278 MW no domingo, 28 de junho.

Regulamentação do Curtailment em Discussão na Aneel

A regulamentação do curtailment é tema em debate na Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica). Em 22 de junho de 2026, a agência postergou a votação de uma norma que estabelece critérios para a redução de geração no SIN, após um pedido de vista do diretor Fernando Mosna. O processo, que tramita na Consulta Pública nº 45 desde 2019, busca definir diretrizes operacionais e comerciais para a limitação da geração pelo ONS.

Existe um consenso entre os órgãos reguladores sobre a necessidade do curtailment para garantir a estabilidade operacional do sistema elétrico brasileiro. A Aneel terá o papel de definir como essas reduções serão implementadas e se haverá mecanismos de ressarcimento para os geradores prejudicados, especialmente os de fontes renováveis, que arcam com a maior parte das perdas de receita.

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