CRISE SANITÁRIA NAVAL

OMS confirma 3 mortes em cruzeiro de luxo com hantavírus

Profissionais de saúde embarcam no navio de cruzeiro MV Hondius no porto de Praia, Cabo Verde, em 06 de maio de 2026.
Esta vista aérea mostra profissionais de saúde embarcando no navio de cruzeiro MV Hondius, enquanto este estava ancorado próximo ao porto de Praia, capital de Cabo Verde, em 06 de maio de 2026. — Foto: AFP

Após capitão alegar causas naturais, pandemia de hantavírus no MV Hondius gera impasse para desembarque de passageiros nas Ilhas Canárias em 11 de maio.

A confirmação de três mortes a bordo do navio de cruzeiro de luxo MV Hondius, afetado por um surto de hantavírus, mobiliza autoridades de saúde e gera apreensão internacional. Enquanto o capitão Jan Dobrogowski havia tranquilizado passageiros sobre "causas naturais" após o primeiro óbito em 12 de abril, a Organização Mundial da Saúde (OMS) agora corrobora o saldo de três vítimas fatais e a contaminação de outros passageiros. A crise sanitária impõe a urgência de um plano de desembarque coordenado, crucial para proteger a dignidade e a saúde dos viajantes e evitar a disseminação do vírus.

Um vídeo, amplamente divulgado nesta quarta-feira, 06 de maio de 2026, mostra o momento em que o capitão Dobrogowski comunica a triste notícia aos tripulantes e passageiros. Gravadas em 12 de abril, um dia após a morte do primeiro turista, as imagens capturam sua fala: "É meu triste dever informar que um dos nossos passageiros faleceu repentinamente na noite passada. Por mais trágico que seja, acreditamos que foi por causas naturais." Ele complementou, tentando acalmar a situação: "E também, quaisquer problemas de saúde que ele estivesse enfrentando, segundo o médico, não eram infecciosos, então o navio está seguro nesse aspecto."

O navio MV Hondius, pertencente à empresa holandesa Oceanwide Expeditions, partiu de Ushuaia, na Argentina, com destino a Cabo Verde. Contudo, o que era para ser uma viagem de luxo transformou-se em uma rota de angústia. O capitão Dobrogowski mencionou que o navio estava em meio ao Oceano Atlântico e que tais incidentes podiam acontecer em alto-mar, impactando as operações da embarcação. "Fazemos o que podemos para continuar de forma segura e digna", assegurou.

O primeiro passageiro a morrer era holandês. Seu corpo foi retirado do cruzeiro em 24 de abril, na ilha de Santa Helena, para repatriação. Lamentavelmente, a mulher dele, também de nacionalidade holandesa, que desembarcou no mesmo local, faleceu dois dias depois, com exames confirmando hantavírus. Em 02 de maio, outro passageiro, um cidadão alemão, também morreu a bordo; a causa de sua morte ainda não foi identificada.

A situação sanitária a bordo é crítica. Além das mortes, dois outros passageiros que estavam no cruzeiro testaram positivo para hantavírus e permanecem internados. Um deles, de nacionalidade britânica, encontra-se em estado grave na África do Sul, enquanto o outro recebe tratamento em Zurique, na Suíça. Esses casos reforçam a seriedade da crise e a urgência de medidas sanitárias rigorosas.

O que é o hantavírus?

Os hantavírus são patógenos transmitidos principalmente por roedores infectados. A infecção pode desencadear quadros graves, incluindo problemas respiratórios e cardíacos, além de febres hemorrágicas, que representam alto risco para a vida humana. A transmissão entre humanos é rara, mas possível em algumas cepas, como a andina, o que eleva a preocupação em ambientes confinados como um navio.

Desembarque e controvérsia nas Ilhas Canárias

O Ministério do Interior da Espanha confirmou nesta quarta-feira, 06 de maio de 2026, que os passageiros do MV Hondius começarão a deixar a embarcação na próxima segunda-feira, 11 de maio. O desembarque está programado para ocorrer nas Ilhas Canárias, conforme informações divulgadas pela agência de notícias francesa AFP. O governo espanhol assegura que todos os passageiros remanescentes a bordo estão assintomáticos, mas a cautela permanece.

A ministra da Saúde da Espanha, Mónica García, detalhou que os passageiros estrangeiros serão repatriados. Os 14 cidadãos espanhóis a bordo seguirão para um hospital em Madri, onde passarão por um período de quarentena após o desembarque. No entanto, a decisão centralizada de Madri enfrenta resistência local. O governo de Tenerife, ilha onde o desembarque está previsto, já manifestou a intenção de impedir que o navio atraque, criando um impasse que agrava a situação dos viajantes.

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