FUTURO DA SOJA
Óleo de soja deve se tornar matéria-prima dominante no Brasil, diz Argus
Mercado latino-americano terá predomínio do óleo da oleaginosa como principal matéria-prima em 2026, impulsionado por biocombustíveis e regulamentações.
A consultoria Argus projeta que o óleo de soja será a matéria-prima dominante no complexo da soja no Brasil e América Latina até 2026. A revelação, feita nesta quarta-feira, 06/05/2026, durante um workshop em São Paulo, fundamenta-se no avanço das misturas de biocombustíveis e em mudanças regulatórias internacionais, sinalizando um impacto significativo na economia, na segurança energética e, por consequência, no cotidiano dos cidadãos que dependem desses mercados.
A estimativa aponta para uma participação de mercado de 74% do óleo de soja em 2026, um crescimento de quatro pontos percentuais em relação aos 70% registrados em 2025. Este cenário de valorização é diretamente influenciado pela competitividade do preço do óleo brasileiro e pela crescente priorização do insumo em mandatos públicos de países que buscam reduzir a dependência de combustíveis fósseis.
O aumento da demanda por biodiesel à base de grão impulsionará o esmagamento de soja no país, valorizando seus derivados. O mercado de biocombustíveis, aliás, dependerá ainda mais do óleo de soja nos próximos anos, não apenas no Brasil, mas em outras nações produtoras. Esta crescente necessidade já reflete na valorização do produto, que saltou de R$ 2,5 mil para mais de R$ 6 mil a tonelada desde o início da guerra entre Rússia e Ucrânia.
Conflitos geopolíticos, como a guerra no Oriente Médio, evidenciam a urgência de repensar as negociações na cadeia da soja, impactando decisões estratégicas de abastecimento interno e exportações. Como explicou a analista da Argus, Nathalia Gianetti, os preços dispararam nas bolsas internacionais com o conflito bélico, elevando também a precificação do grão.
Além dos fatores bélicos, os mandatos regulatórios de biocombustíveis se destacam como fundamentos de mercado cruciais para a precificação e dominação dos óleos vegetais. Indonésia e Malásia, por exemplo, impulsionam a demanda por óleo de palma, que, segundo a Argus, atua como um "grande driver dos óleos vegetais" globalmente.
Nos Estados Unidos, o foco está no consumo doméstico, com níveis recordes de mistura de biocombustíveis sustentando uma alta demanda por óleos. Lá, o óleo de canola também ganha espaço, competindo com outras matérias-primas nos 'pools' em razão de mudanças regulatórias, conforme detalhado pela Argus.
Precificação do óleo de soja: o desafio das margens
A recente alta nos preços da soja expõe um descompasso significativo na cadeia de processamento da oleaginosa, conforme aponta Thaís Sousa, gerente de desenvolvimento de negócios na Argus. Enquanto o custo do grão avançou de forma consistente nos últimos meses, as cotações do farelo e do óleo — os principais derivados — reagiram com mais força somente a partir de fevereiro deste ano.
"Esse desalinhamento pressiona as margens da indústria, que precisa equilibrar a equação entre matéria-prima e produtos finais", afirmou Souza. A questão central para o setor é quem, de fato, absorve o custo mais elevado do grão. A resposta reside na dinâmica entre farelo e óleo, cujos preços e demandas ditam a rentabilidade do esmagamento, segundo a consultoria.
Dessa forma, a indústria deverá ajustar suas estratégias de comercialização e processamento, buscando recompor margens e garantir a atratividade do negócio em um cenário de constantes mudanças e desafios.
Gostou desta notícia?
Entre no nosso grupo do WhatsApp!
Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!
📲 Quero entrar no grupo
Comentários (0)
Deixe seu comentário