MINISTROS NO PLANTÃO
Oito ministros do STF abdicam de férias e seguem trabalhando em julho
Apenas Luiz Fux e Cármen Lúcia tiram recesso. Decisão visa evitar insegurança jurídica e agilizar casos eleitorais e de presos.
Apesar do recesso oficial do STF (Supremo Tribunal Federal), oito dos dez ministros da Corte optaram por manter suas atividades ao longo do mês de julho. Apenas Luiz Fux e Cármen Lúcia usufruirão de férias neste período. A decisão de continuar o trabalho, apurada pelo analista de Política da CNN, Teo Cury, para o CNN Novo Dia, visa garantir a continuidade e a segurança jurídica de processos importantes.
Seis ministros — Gilmar Mendes, Edson Fachin, Alexandre de Moraes, Nunes Marques, André Mendonça e Flávio Dino — trabalharão normalmente, como se o recesso não existisse. Fachin e Moraes, presidente e vice-presidente da Corte, respectivamente, dividirão a atuação em quinzenas: Fachin cuidará dos casos de 2 a 15 de julho, e Moraes, de 16 a 31 de julho.
Cristiano Zanin e Dias Toffoli, por outro lado, atuarão apenas em casos pontuais. Toffoli lidará com reclamações, petições, inquéritos e mandados de segurança, instrumentos processuais utilizados para contestar decisões de órgãos como a Câmara, o Senado ou uma Assembleia Legislativa. Zanin se dedicará a inquéritos, ações penais e processos sob sua relatoria.
A principal razão para a abdicação das férias, segundo Teo Cury, é a concentração de poder sobre os processos de relatoria. Durante o recesso, um substituto de plantão poderia tomar decisões urgentes que, ao retornar o ministro titular, poderiam ser revertidas, gerando insegurança jurídica. Cury citou exemplos históricos, como o caso da "rachadinha" de Flávio Bolsonaro (PL) e a soltura de presos em segunda instância durante recesso, ambos com decisões posteriormente revertidas.
O contexto de ano eleitoral, que demanda celeridade em certas decisões, e a presença de investigados presos em casos como os do Banco Master e do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), sob relatoria de André Mendonça, também impulsionam a continuidade dos trabalhos. "Durante julho, para. Não quando tem réu preso ou investigado preso", explicou o analista. Flávio Dino, relator de processos sobre emendas parlamentares, também permanece ativo devido ao impacto eleitoral dessas questões.
Esse movimento de ministros que optam por trabalhar durante o recesso tem se intensificado desde 2017 e 2018, refletindo a complexidade dos casos em andamento e as divergências internas dentro do próprio STF.
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