DECISÃO NO STF
Nunes Marques relatará ação de Flávio Bolsonaro contra Lula no STF
Ministro Kassio Nunes Marques foi sorteado para analisar notícia-crime que acusa o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de ameaça e incitação ao crime por declarações em Goiás. A ação questiona fala sobre Tiradentes e Joaquim Silvério dos Reis.
O ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), foi definido por sorteio como relator da notícia-crime apresentada pelo senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A ação atribui ao chefe do Executivo os crimes de ameaça e incitação ao crime em razão de declarações feitas durante um discurso em Catalão, no interior de Goiás.
A representação, protocolada no dia 4 de junho de 2026, pede a abertura de inquérito para investigar uma fala em que Lula mencionou o episódio histórico envolvendo Joaquim Silvério dos Reis e Tiradentes ao comentar sobre pessoas que buscam intervenção estrangeira nos assuntos internos do Brasil.

Na manifestação, a defesa de Flávio Bolsonaro considera ameaçadora a declaração em que Lula afirmou: “Por menos do que isso, Joaquim Silvério dos Reis, que delatou Tiradentes, foi enforcado. O que merecem os traidores da pátria que vão pedir intervenção de um país no nosso?”. Segundo os advogados do senador, houve um erro histórico na comparação, pois quem foi enforcado foi Tiradentes, não Joaquim Silvério dos Reis.
“O presidente inverteu os papéis de sua própria parábola, atribuindo a quem traiu o destino que, na realidade, coube justamente a quem foi traído, confundindo o herói com o vilão da história. Talvez tal confusão não ocorra apenas na figura de linguagem utilizada, mas também na leitura que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva faz do atual cenário político brasileiro”, sustenta a petição apresentada pelo escritório Tracy Reinaldet Advogados Associados.
A ação também argumenta que o discurso teria estimulado manifestações violentas nas redes sociais. Segundo os advogados, nas 24 horas seguintes à declaração foram identificadas mais de 1.600 publicações na plataforma X contendo supostas ameaças dirigidas a Flávio Bolsonaro e a seus familiares, com termos como “matar”, “fuzilar”, “esfaquear” e “atentados”. Outras 500 postagens teriam apresentado ameaças veladas ou mensagens de incentivo à violência, alcançando mais de 14 milhões de visualizações, aproximadamente 900 mil curtidas e quase 200 mil compartilhamentos.
No início do mês, como presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Nunes Marques tomou decisão favorável a Flávio Bolsonaro ao determinar a suspensão da divulgação de uma pesquisa do instituto AtlasIntel que apontava queda nas intenções de voto do presidenciável do PL.
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