GUERRA GERAL NO MUNDO
Número de conflitos armados em 2025 atinge maior patamar desde Segunda Guerra
Relatório do Instituto de Pesquisa sobre a Paz de Oslo (Prio) revela 65 conflitos entre Estados em 2025, o número mais alto desde 1946. O estudo também indica um aumento alarmante de ataques contra civis.
O mundo testemunhou o maior número de conflitos armados entre Estados desde o fim da Segunda Guerra Mundial em 2025. Foram registrados 65 confrontos, um patamar não visto desde 1946, conforme aponta o estudo "Conflict Trends", divulgado nesta terça-feira, 09/06/2026, pelo renomado Instituto de Pesquisa sobre a Paz de Oslo (Prio). A pesquisa sinaliza um cenário global de crescente violência, com um aumento expressivo de ataques contra a população civil e um total de aproximadamente 245 mil mortes diretas em decorrência de combates ou violência política ao longo do ano passado. Este dado posiciona 2025 como o terceiro ano mais letal desde o término da Guerra Fria, refletindo crises simultâneas, o enfraquecimento da cooperação internacional e uma acentuada polarização entre as potências globais.
O levantamento do Prio detalha um aumento significativo nos confrontos diretos entre países, que dobraram em relação a 2024, atingindo oito — um recorde nos últimos 80 anos. Além da expansão quantitativa, a escalada na intensidade dos conflitos e seus impactos humanitários são alarmantes. Cerca de 76,5 mil mortes em 2025 foram atribuídas a ataques deliberados contra civis, um salto drástico ante as 14,2 mil mortes registradas em 2024. A guerra no Sudão, com cercos e massacres na região de Al-Fashir, em Darfur, é apontada como a principal causa desse aumento, com aproximadamente 60 mil vítimas civis.
A pesquisadora Siri Aas Rustad, líder do estudo, descreveu os resultados como "chocantes" e uma ruptura com padrões observados anteriormente. "Infelizmente, não há muito de positivo que eu possa destacar", declarou Rustad, ressaltando que os números fogem à tendência de melhora relativa vista em parte das décadas pós-Guerra Fria. O relatório compara os níveis atuais com períodos de alta mortalidade como 2021, impactado pelo conflito em Tigré, na Etiópia, e 1994, ano do genocídio em Ruanda.
A dinâmica atual de conflitos caracteriza-se pela simultaneidade de crises de grande escala. "O que vimos nos últimos cinco ou seis anos é a coexistência de vários grandes conflitos ao mesmo tempo, que parecem se suceder sem interrupção", observou Rustad. Em contraste com a década de 2000, que teve anos sem conflitos interestatais, o cenário atual é de confronto elevado e contínuo em diversas regiões.
O relatório lista tensões renovadas entre Índia e Paquistão, disputas na fronteira entre Afeganistão e Paquistão, confrontos entre Camboja e Tailândia, a guerra na Ucrânia após a invasão russa, e operações militares de Israel na Síria, perto das Colinas de Golã. Inclui também a escalada de instabilidade no Oriente Médio, envolvendo Israel, Irã e grupos armados regionais.
O estudo baseia-se em dados do Programa de Dados de Conflitos de Uppsala (UCDP) e classifica conflitos em três categorias: com participação estatal, entre atores não estatais e violência unilateral contra civis. Crises frequentemente negligenciadas, como as ligadas a grupos criminosos no Haiti e a violência pós-eleitoral na Tanzânia, também são destacadas pelo seu alto impacto local.
O enfraquecimento de mecanismos multilaterais e a crescente polarização entre países são apontados como fatores estruturais que intensificam os conflitos. A pesquisadora Rustad destacou o papel dos Estados Unidos, tanto em atuações diretas quanto em políticas econômicas que amplificam tensões, contribuindo para um mundo "muito mais polarizado". Medidas como barreiras comerciais e o enfraquecimento da cooperação internacional, exemplificado pela inoperância do Conselho de Segurança, agravam o cenário.
A atuação de Israel em múltiplos cenários, como em Faixa de Gaza, Síria e Líbano, além de tensões com o Irã e rebeldes houthis do Iêmen, é identificada como um fator de agravamento regional. Geograficamente, a África lidera com 29 conflitos interestatais, seguida pela Ásia, Oriente Médio, Américas e Europa. O conjunto de dados reforça a avaliação de um sistema internacional em instabilidade prolongada, com dificuldades na construção de soluções diplomáticas eficazes.
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