MAIS BRASILEIROS POUPAM
Número de brasileiros que poupam e investem cresce e atinge 36% da população
Aproximadamente 60 milhões de pessoas guardam dinheiro, impulsionadas por maior acesso e busca por segurança financeira, apesar da alta inadimplência.
O número de brasileiros capazes de poupar e investir dinheiro atingiu a marca de 36% da população, o equivalente a mais de 60 milhões de pessoas. A decisão de guardar recursos, que tem crescido aos poucos, reflete uma busca crescente por segurança financeira e a realização de sonhos, mesmo em um cenário de inadimplência recorde que afeta mais de 83 milhões de cidadãos.
Exemplos como o da consultora comercial Adriana Lourenzi ilustram essa mudança. Após um período de endividamento considerável, quitando cerca de R$ 50 mil em dívidas em menos de seis meses por meio de negociações e com o apoio de um segundo trabalho para gerar renda extra, ela conseguiu não apenas sair do vermelho, mas também planejar e financiar um imóvel. "Eu cheguei na corretora no dia que eu vim comprar, eu falei assim: ‘Olha, você vai ter a venda mais fácil da sua vida. Eu quero o apartamento mais barato que você tiver’", relata Adriana, que agora vê seu espaço de 30 m² ganhando a sua cara. Ela compartilha a emoção de abrir a porta do novo lar com a filha, celebrando a conquista após superar dificuldades. Seus planos incluem conhecer a Bahia e continuar realizando sonhos, divididos em metas de curto, médio e longo prazo.
O aumento no percentual de poupadores é observado em diferentes faixas de renda. Embora a maioria dos que guardam dinheiro possua renda mais elevada, o número de pequenos investidores entre a população de menor renda também tem aumentado. No mercado de ações, o crescimento foi de 33% em quatro anos, com muitos iniciando aplicações com menos de R$ 100. "Hoje, no Brasil, a partir de R$ 50 é possível começar a investir. Para os mais jovens, por exemplo, quanto antes eu começar, mais rápido o meu dinheiro vai crescer, mesmo que seja economias pequenininhas ao longo dos meses", explica Marcelo Billi, superintendente de Educação da Anbima. Ele ressalta que a relação com o dinheiro é permanente e exige adaptação às diferentes fases da vida.
A educação financeira e digital também se torna crucial. Em São Paulo, um instituto que atende idosos oferece aulas de letramento digital, com alta procura para que os participantes "não fiquem para trás". A aposentada Irene Alves de Oliveira, embora com um "pouco de receio" ao usar o PIX, busca independência para não depender constantemente dos filhos. Ela aprende um pouco a cada dia para administrar suas finanças sem precisar ir ao banco buscar dinheiro em espécie.
A economista Regiane Vieira destaca a importância de planejar a aposentadoria pensando nos objetivos pessoais, como viagens e independência. Alaíde Duque da Silva, que administrava bem seu salário como empregada doméstica, guardava mesmo quantias pequenas como R$ 10 e priorizava compras conscientes. Essa preparação permitiu que ela realizasse o sonho de viajar para lugares como Pernambuco, Porto de Galinhas, Itália, Alemanha e Argentina, e até mesmo ver o Papa Francisco de perto no Vaticano em 2025. Atualmente, planeja um cruzeiro, com o auxílio da filha e pagamentos parcelados que são honrados para evitar endividamento.
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