DESIGUALDADE NA SAÚDE

Norte e Nordeste concentram os piores índices de psicólogos no SUS

Psicóloga em atendimento clínico
Psicóloga anota em prancheta durante sessão com paciente deitado em sofá — Foto: Pexels

Dados revelam que oito dos dez estados com menor oferta de profissionais na rede pública estão no Norte e Nordeste, prejudicando o atendimento à população.

A desigualdade no acesso à saúde mental no Brasil torna a localização geográfica um fator determinante para a qualidade da assistência psicológica. Levantamento realizado com base no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES) revelou que as regiões Norte e Nordeste concentram oito dos dez estados com as maiores razões de habitantes por psicólogo vinculado ao Sistema Único de Saúde (SUS), evidenciando um abismo entre o número total de especialistas no País e a disponibilidade na rede pública.

O Pará lidera o cenário mais crítico, com um profissional para cada 5.769 habitantes, seguido pelo Amazonas, com 5.724 moradores por psicólogo, e o Distrito Federal, com 5.167. Em contraste, estados como Santa Catarina, Minas Gerais e Rio Grande do Sul mantêm proporções significativamente mais equilibradas, apresentando médias entre 2.400 e 2.600 habitantes por profissional na rede pública.

O gargalo não se deve à falta de profissionais no mercado, mas à baixa vinculação ao SUS. No Amazonas, por exemplo, embora existam 6.812 psicólogos registrados no Conselho Federal de Psicologia (CFP), a relação de um profissional para cada 634 pessoas cai drasticamente para um a cada 5.724 quando se considera apenas o atendimento público.

A demanda por suporte psicológico, contudo, segue em ascensão. Segundo dados do Ministério da Saúde, os Centros de Atenção Psicossocial (Caps) registraram um crescimento de 106% no volume de atendimentos na última década, saltando de 13,8 milhões em 2015 para 28,4 milhões em 2025. O único hiato nessa curva de crescimento ocorreu em 2020, durante a fase inicial da pandemia de Covid-19.

Para mitigar a lacuna de oferta, o CFP reconhece a terapia online como uma ferramenta regulamentada e essencial para ampliar o acesso. No entanto, a entidade ressalta que essa modalidade não substitui integralmente a necessidade da presença física dos serviços, especialmente para cidadãos que dependem exclusivamente da rede pública e necessitam de acompanhamento presencial para garantir o exercício pleno do direito à saúde.

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