NORDESTE EM ASCENSÃO

Nordeste se consolida como polo estratégico de desenvolvimento do país

Visão geral de um evento de desenvolvimento econômico com palestrantes.
O Nordeste se consolida como polo estratégico de desenvolvimento do país.

Presidente do Banco do Nordeste, Paulo Câmara, destacou em evento em Brasília os avanços da região, que hoje concentra 28% da geração de energia limpa e atrai investimentos significativos.

O Nordeste consolidou-se como um polo estratégico para o desenvolvimento do país, superando a antiga percepção de ser apenas uma promessa. Essa afirmação foi feita pelo presidente do Banco do Nordeste, Paulo Câmara, durante a 3ª edição do Nordeste em Pauta em Brasília, realizada nesta quinta-feira, 18/06/2026. O evento, com o tema “Resultados e perspectivas da região que mais cresce no país”, destacou os fatores que impulsionam esse cenário positivo.

Segundo Câmara, a região demonstra maior integração e um mercado de trabalho aquecido, com a taxa de desemprego recuando para cerca de 8%, impulsionada pela criação de vagas formais. Além disso, o Nordeste concentra aproximadamente 28% da capacidade de geração de energia limpa do Brasil, um fator que tem atraído a atenção de investidores e empresários.

Eduardo Tavares, secretário nacional de Fundos e Instrumentos Financeiros, reforçou que o Nordeste é uma região do presente, reposicionada no cenário global. Ele elogiou o Banco do Nordeste por sua dedicação e por ser uma referência fundamental para o ministério no desenvolvimento regional. Tavares citou a ferrovia Transnordestina, com investimentos superiores a R$ 15 bilhões, como um projeto estratégico para o Brasil.

Roberto Garibe, secretário especial do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), representando a ministra da Casa Civil, Miriam Belchior, destacou que o volume de recursos emprestado a entes federativos neste ano supera a soma dos quatro anos anteriores. O Nordeste recebe atenção especial dentro do Novo PAC, com a saúde sendo um carro-chefe, exemplificado pela universalização do SAMU. Dos 17 mil empreendimentos do PAC, cerca de um terço já foi concluído na região.

Maria Fernanda Coelho, diretora do BNDES e presidente da ABDE, explicou que o crescimento do Nordeste tem sido acima da média, resultado de uma decisão política que colocou a região e o Norte no centro das políticas públicas. O BNDES reposicionou sua atuação com treinamento de instituições financeiras, orçamento exclusivo e taxas diferenciadas para a região.

Essa estratégia, com parceria da Sudene e do Banco do Nordeste, resultou em um crescimento de 98% nas aprovações do BNDES para a região no primeiro trimestre de 2026, atingindo R$ 3,38 bilhões. Francisco Ferreira Alexandre, superintendente da Sudene, afirmou que o Nordeste atrai olhares de investidores e que o desafio é reter esses investimentos, buscando equalizar o desenvolvimento de forma justa e equilibrada.

João Paulo Rodrigues, diretor da Neoenergia, destacou que 28% da capacidade instalada de energia do país está no Nordeste, e 90% do portfólio eólico em construção se concentra na região. José Aldemir Freire, diretor de Planejamento do Banco do Nordeste, ressaltou que o crescimento atual do Nordeste é diferenciado do padrão histórico, sendo mais dinâmico e envolvendo diversos setores econômicos.

A rápida resposta do governo federal a reajustes tarifários protegeu o agronegócio e a agricultura familiar. A iniciativa “Brasil Soberano”, lançada em setembro, garantiu estabilidade ao setor. A ampliação da oferta de crédito e o apoio na busca por novos mercados são cruciais, segundo Freire, que também enfatizou a diversificação de mercados para a região.

A conclusão da Ferrovia Transnordestina até Pecém, no Ceará, consolida-se como o principal projeto logístico, integrando malha ferroviária e canais de exportação. Investimentos em projetos hídricos são urgentes para garantir um crescimento econômico sustentável. O mercado de energia vive um novo momento, exigindo foco na agregação de valor aos produtos locais, integração da rede, flexibilidade e resiliência do sistema, segundo João Paulo Rodrigues. O combate à disparidade regional passa pela interiorização do desenvolvimento, gerando emprego e renda localmente, conforme ressaltou Francisco Ferreira Alexandre.

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