MAIO CINZA: ALERTA
Neurocirurgião Wladimir Melo reforça importância do diagnóstico precoce de tumores cerebrais
Campanha busca ampliar a conscientização sobre tumores cerebrais, destacando a necessidade de diagnóstico rápido para aumentar as chances de cura. Especialistas alertam sobre sintomas que podem ser confundidos com outras doenças neurológicas.
A campanha Maio Cinza, idealizada pela Sociedade Americana de Neurocirurgia e incorporada pela Sociedade Brasileira de Neurocirurgia, busca ampliar a conscientização sobre tumores cerebrais e reforça a importância do diagnóstico precoce da doença. Em entrevista à rádio 94 FM, o neurocirurgião Wladimir Melo explicou que a iniciativa visa discutir o combate ao câncer cerebral e alertar a população sobre os sinais da doença, de forma similar às campanhas de Novembro Azul (câncer de próstata) e Outubro Rosa (câncer de mama).
“Todo mês de maio a gente comemora o Maio Cinza e traz esse debate. Algo muito similar ao que já acontece em determinados meses com campanhas, por exemplo, Novembro Azul, com câncer de próstata, Outubro Rosa, com câncer de mama, e que agora a gente vem trazendo também o foco da nossa área, que são os tumores cerebrais”, afirmou.
O especialista destacou que os sintomas de tumores cerebrais frequentemente se assemelham a outras manifestações neurológicas, exigindo atenção redobrada de pacientes e profissionais. Dores de cabeça incomuns, crises convulsivas em quem não tem histórico de epilepsia, dormências, fraqueza muscular e paralisia facial estão entre os sinais de alerta que não devem ser ignorados.
“Os sinais e sintomas de um tumor cerebral muitas vezes são muito similares a qualquer outra manifestação neurológica. É uma dor de cabeça não habitual, é aquele paciente que não é epilético e, do nada, abre um quadro de crise convulsiva. Às vezes um sinal muito sutil, uma dormência em algum membro, mão ou perna, uma fraqueza, uma paralisia facial”, explicou.
Qualquer déficit neurológico focal pode indicar a presença de uma lesão expansiva, como um tumor cerebral. Wladimir Melo ressaltou que o diagnóstico precoce é um fator determinante para aumentar significativamente as chances de cura e a qualidade de vida dos pacientes.
“A gente percebe, e isso é muito bem relatado, que quanto mais precoce você trata, maior a chance de cura para aqueles tumores que são curáveis, ou maior a taxa de sobrevida, maior a qualidade de vida para aqueles pacientes que conseguem tratar o quanto antes”, disse.
Tumores cerebrais representam cerca de 4% dos casos de câncer tratados em oncologia. Embora sua prevalência seja menor em comparação com outros tipos da doença, a taxa de mortalidade é consideravelmente mais alta, segundo o neurocirurgião.
“Se você pegar todos os cânceres que a gente trata, 4% deles se configuram como tumor cerebral, como câncer cerebral. Porém, um fato que traz destaque é que, desses 4%, a mortalidade é muito mais alta em relação a outros tipos de tumores”, afirmou.
Didaticamente, os tumores cerebrais podem ser classificados como benignos ou malignos. O meningioma, um tipo de tumor benigno, é o mais comum. A possibilidade de cura, em muitos casos, depende da localização, do tamanho do tumor e da agilidade no início do tratamento.
“O meningioma, por exemplo, que é o tumor benigno mais comum, a depender da sua localidade, do seu tamanho, da precocidade do tratamento, a gente muitas vezes consegue a cura”, relatou.
As sequelas associadas à doença e ao seu tratamento podem surgir tanto pela ação direta do tumor quanto pela intervenção cirúrgica, especialmente quando lesões afetam áreas cerebrais cruciais para funções como fala, movimento e sensibilidade. Um exemplo é a afasia, a incapacidade de se expressar, quando um tumor atinge a área da fala.
Avanços tecnológicos na neurocirurgia têm contribuído para a redução dessas sequelas. Além do diagnóstico precoce, Wladimir Melo defende melhorias na infraestrutura do sistema público de saúde para garantir o acesso a exames e tratamentos essenciais, como tomografias, ressonâncias magnéticas, leitos de CTI (Centro de Terapia Intensiva) e equipes especializadas.
“A estrutura de saúde tem que estar amplamente amparada para conseguir tratar esses pacientes, com leito de CTI disponível, com estrutura para a cirurgia em si”, declarou.
O neurocirurgião enfatizou o papel crucial do Sistema Único de Saúde (SUS) no atendimento à vasta maioria da população brasileira e clamou por um sistema público de saúde mais robusto e acessível a todos que necessitam.
“A maior parte da nossa população depende diretamente do SUS. Também trazer a discussão para o sistema de saúde, especialmente o sistema público, para que ele consiga elaborar um sistema de saúde amplo, que a porta seja aberta a todos que precisam”, disse.
Gostou desta notícia?
Entre no nosso grupo do WhatsApp!
Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!
📲 Quero entrar no grupo
Comentários (0)
Deixe seu comentário