PODER E CRIME
MPRJ: TCP se infiltrou na Alerj, reproduzindo padrão de atuação do CV
Investigação do Ministério Público do Rio de Janeiro aponta que facção criminosa TCP teria se infiltrado em estruturas do poder público estadual, similar a casos anteriores envolvendo o Comando Vermelho. Parlamentares são suspeitos de favorecer interesses do tráfico e de interferir em operações policiais.
Nesta quinta-feira, 18/06/2026, o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) revelou em relatório encaminhado à Justiça que investigações apontam para a infiltração do Terceiro Comando Puro (TCP) em estruturas do poder público estadual. A promotoria detalha que o grupo criminoso teria estabelecido uma atuação semelhante à já identificada em apurações anteriores que ligaram o Comando Vermelho (CV) à Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). A decisão de detalhar essas descobertas visa embasar pedidos de busca e apreensão e reforça a gravidade da interferência do crime organizado nas instituições. A questão importa pois afeta a confiança pública na integridade dos órgãos legislativos e na segurança da sociedade.
Além do deputado estadual Val Ceasa (PRD), a Polícia Civil do RJ e o MPRJ também cumpriram mandados nesta quinta-feira contra o ex-vereador Ulisses de Almeida Marins e o ex-assessor parlamentar Michael Johnny Vianna de Azevedo. O MPRJ aponta indícios de que parlamentares teriam atuado para favorecer interesses de traficantes ligados ao TCP, incluindo uma tentativa de obter informações sobre uma operação policial sigilosa destinada a demolir imóveis usados pelo grupo criminoso.
Segundo a investigação, Val Ceasa e Ulisses Marins teriam questionado o comando do 16º BPM (Olaria) em dezembro de 2023 sobre uma possível ação policial na região de Parada de Lucas. A operação visava imóveis de alto padrão, identificados como espaços utilizados por integrantes do TCP para encontros e eventos. Após o encontro, autoridades notaram mudanças nos locais, como a retirada de equipamentos e alterações estruturais, além da instalação de faixas indicando supostos projetos sociais. O MPRJ suspeita que estas ações visavam disfarçar o uso ilícito dos imóveis, especialmente porque não há registro oficial desses projetos em órgãos públicos municipais, reforçando a suspeita de sua natureza fictícia.

A investigação também reúne depoimentos e relatórios que indicam a influência da facção em áreas onde os políticos investigados possuem forte base eleitoral. Uma parcela significativa dos votos de Val Ceasa e Ulisses Marins se concentra em regiões sob domínio do TCP. O inquérito aponta ainda relações indiretas entre assessores dos investigados e integrantes da facção, com registros de funcionários ligados aos gabinetes com antecedentes criminais ou vínculos familiares com presos por crimes relacionados ao tráfico. Em um dos trechos da peça, o MPRJ afirma haver uma “miríade de relacionamentos espúrios” entre o parlamentar e o narcotráfico.
O ponto mais grave destacado pelo MPRJ é o que chama de infiltração do crime organizado nas instituições políticas. O órgão compara o caso a outras investigações recentes que revelaram a atuação do Comando Vermelho dentro da Alerj. Segundo o texto, os elementos obtidos na apuração indicam que o TCP também conseguiu estabelecer influência no Legislativo estadual. “O presente inquérito policial está a desvendar que a facção rival, autodenominada Terceiro Comando Puro, também se entranhou nas vísceras da Casa Legislativa”, afirma o Ministério Público.
Em sua defesa, Val Ceasa declarou: "A população sabe quem é Val Ceasa, eu trabalho de domingo a domingo dando dignidade para a população."
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