MORTE DE JK

MPF conclui que ditadura militar causou morte de Juscelino Kubitschek em 1976

Ilustração sobre foto em preto e branco de Juscelino Kubitschek
Ex-presidente Juscelino Kubitschek faleceu em 1976.

Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) reviu conclusões da época e apontou que ex-presidente não foi vítima de acidente.

Em 29 de maio de 2026, o Ministério Público Federal (MPF) concluiu que a morte do ex-presidente Juscelino Kubitschek foi causada pela ditadura militar. A decisão foi tomada por maioria dos integrantes da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) durante coletiva realizada em São Paulo. A apuração contesta a conclusão oficial da época, que apontava acidente automobilístico como causa do falecimento, ocorrido em 1976 na Rodovia Presidente Dutra. A investigação é fundamental para a reparação histórica e para a dignidade das vítimas de repressão política, lançando luz sobre um dos episódios mais controversos do período.

O relatório final da CEMDP, que reuniu mais de 5 mil páginas de documentos e anexos, foi apresentado pelo colegiado nesta sexta-feira. Foram seis votos favoráveis à nova conclusão e uma abstenção. O evento ocorreu no auditório da Procuradoria Regional da República da 3ª Região, em Bela Vista, São Paulo (SP).

Estiveram presentes a presidente da CEMDP, procuradora regional da República Eugênia Augusta Gonzaga; a relatora do caso e professora Maria Cecília Adão; e a deputada federal Natália Bonavides, integrante da Comissão. A votação, inicialmente prevista para abril, foi adiada para garantir o exame aprofundado do conteúdo e a informação aos familiares de JK.

Reabertura do caso e contexto histórico

O pedido para reavaliar a morte de Juscelino Kubitschek, ocorrida em agosto de 1976 durante uma viagem entre São Paulo e Rio de Janeiro, partiu de Gilberto Natalini, ex-presidente da Comissão da Verdade Municipal de São Paulo, e do jornalista Ivo Patarra. A análise foi impulsionada após a retomada das atividades da CEMDP e com base em um laudo elaborado em 2019 pelo engenheiro Sergio Ejzenberg para o MPF, que contestou a dinâmica oficial do acidente.

Na ocasião, o carro onde estava JK, dirigido por Geraldo Ribeiro, colidiu com um caminhão na altura de Resende, RJ, após supostamente atravessar a pista. Ambos morreram no local. Investigações da época concluíram que se tratava de um acidente, mas o contexto da ditadura militar e a atuação da Operação Condor, uma articulação entre regimes autoritários da América do Sul para a perseguição de opositores, sempre geraram suspeitas de motivação política.

Vale ressaltar que, em 2014, a Comissão Nacional da Verdade havia descartado indícios de assassinato e a participação do regime militar na morte de JK. No entanto, o novo parecer da CEMDP, baseado em um conjunto mais robusto de informações, incluindo documentos públicos e investigações anteriores do MPF, oferece uma nova perspectiva sobre o caso.

Ilustração sobre foto em preto e branco de Juscelino Kubitschek
Ex-presidente Juscelino Kubitschek faleceu em 1976.

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