JUSTIÇA DECIDE

Moraes pede parecer da PGR sobre inclusão de Jair e Flávio em inquérito

Foto do ministro Alexandre de Moraes do Supremo Tribunal Federal.
Ministro Alexandre de Moraes do STF.

Ministro do STF Alexandre de Moraes solicitou manifestação da Procuradoria-Geral da República sobre pedido para investigar o ex-presidente e o senador em apuração sobre Eduardo Bolsonaro. Decisão impacta a dignidade e o futuro político dos envolvidos.

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta quarta-feira, 27/05/2026, que a Procuradoria-Geral da República (PGR) analise um pedido para incluir o ex-presidente Jair Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em um inquérito existente. A investigação em questão apura a atuação do ex-deputado Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.

A solicitação para ampliar o escopo da investigação, que agora pode abranger o ex-presidente e o senador, foi apresentada pelo deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ). A decisão de Moraes estabelece um prazo de cinco dias para que a PGR emita seu parecer, impactando diretamente a trajetória jurídica e a reputação dos citados.

O inquérito original investiga Eduardo Bolsonaro por suspeitas de coação e tentativa de interferência em um julgamento relacionado a uma suposta tentativa de golpe de Estado. A inclusão de Jair e Flávio Bolsonaro surge da hipótese de que valores destinados a um filme sobre a vida do ex-presidente teriam sido desviados para financiar uma campanha internacional de sanções, restrições de vistas e coação contra autoridades brasileiras. O deputado Lindbergh Farias também solicitou apuração de outros possíveis crimes, como lavagem de dinheiro, financiamento eleitoral irregular, propaganda eleitoral dissimulada, caixa paralelo, organização criminosa, coação no curso do processo e atentado à soberania nacional.

Este pedido ganha destaque após reportagem do portal The Intercept Brasil revelar mensagens de áudio do senador Flávio Bolsonaro, que é pré-candidato à Presidência da República. Nas mensagens, ele teria solicitado recursos ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, para cobrir parte dos custos de produção de uma cinebiografia de seu pai. Segundo a reportagem, o banqueiro teria concordado em destinar R$ 134 milhões para a produção, dos quais R$ 61 milhões teriam sido efetivamente liberados. Anteriormente, Flávio Bolsonaro negava qualquer relação com Vorcaro, que está preso por liderar uma fraude contra o sistema financeiro.

Após a divulgação dos áudios, o senador admitiu o contato com Vorcaro, afirmando que a aproximação ocorreu em 2024, após o fim do governo Bolsonaro, e antes de provas contra o banqueiro serem reunidas pela Polícia Federal (PF) e pelo Poder Judiciário. Flávio Bolsonaro também reconheceu ter se reunido com Vorcaro após a primeira prisão do dono do Banco Master, em novembro de 2025, no contexto da Operação Compliance Zero. Eduardo Bolsonaro seria o responsável pela administração dos valores repassados pelo banqueiro.

Na mesma quarta-feira, Flávio e Eduardo Bolsonaro, acompanhados do blogueiro Paulo Figueiredo, encontraram o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em Washington. Uma fotografia do encontro foi divulgada nas redes sociais, adicionando um novo elemento à narrativa política e jurídica que envolve os envolvidos.

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