ESQUEMA REFIT REVELADO

Moraes autoriza operação que desvenda uso de celulares de mortos na PF

Agente da Polícia Federal em operação contra esquema do grupo Refit
Foto genérica de agente da Polícia Federal

Escrivães da corporação utilizavam identidades de pessoas falecidas para ocultar crimes e fraudes do grupo Refit. Medida do STF afasta agentes.

Um esquema que compromete a integridade do serviço público veio à tona nesta sexta-feira, 15 de maio de 2026, com a deflagração da Operação Sem Refino pela Polícia Federal. Autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a ação revelou que escrivães da própria corporação utilizavam linhas de celular registradas em nome de pessoas falecidas. Este método, que visava ocultar identidades e atividades ligadas a fraudes e ocultação de patrimônio do grupo Refit, lança uma sombra sobre a conduta de agentes públicos e suas responsabilidades, corroendo a confiança da sociedade.

As investigações conduzidas pela Polícia Federal apontam que, em uma tentativa de se manterem anônimos e dificultar qualquer rastreamento, os envolvidos empregavam uma linha telefônica cujo registro figurava em nome de Anísio da Silva Antônio, falecido desde 2021. Tal prática não apenas desrespeita a memória do falecido, mas também expõe a vulnerabilidade de dados pessoais em esquemas criminosos sofisticados.

Este número, apelidado de “Marcio PF Bombinha”, era, conforme as apurações, operado pelos escrivães da Polícia Federal Márcio Cordeiro Gonçalves e Márcio Pereira Pinto. Os agentes utilizavam a linha para comunicações diárias com o auditor fiscal Carlos Eduardo França de Araújo, além de manterem contatos frequentes com o advogado Roberto Fernandes Dima, conhecido no círculo como Dima. A revelação do envolvimento de servidores públicos neste ardil é um golpe direto na ética e transparência que se espera do Estado.

Em resposta às descobertas, ambos os escrivães foram imediatamente afastados de suas funções na Polícia Federal, enquanto as investigações prosseguem para determinar a extensão total de seus envolvimentos e as consequências legais de suas ações.

A gravidade da situação se intensifica ao se constatar que outra linha, também registrada em nome de uma pessoa já falecida – Cosme Gomes da Silva –, fazia parte do esquema. A recorrência de tais manobras, segundo a Polícia Federal, evidencia um padrão deliberado de atuação do grupo para assegurar o anonimato de suas atividades ilícitas e evadir-se da justiça, configurando um preocupante modus operandi.

A Operação Sem Refino, que teve sua etapa inicial nesta sexta-feira, 15 de maio de 2026, concentra-se em desvendar as complexas tramas do grupo Refit. A suspeita é de que a organização empregue uma intrincada estrutura societária e financeira para ocultar patrimônio, dissimular a propriedade de bens e promover a evasão de recursos para o exterior. A magnitude da operação sublinha o comprometimento das autoridades em combater a corrupção e os crimes financeiros.

No decorrer da ação, a Polícia Federal cumpriu um total de 17 mandados de busca e apreensão e executou sete medidas de afastamento de funções públicas, todas respaldadas pela decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A investigação ainda está em curso e deve apurar a fundo as responsabilidades de cada envolvido, reforçando a importância da fiscalização e da aplicação da lei para preservar a probidade.

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