VIOLÊNCIA DE GÊNERO
MJSP: Brasil bate recorde histórico de feminicídios
Foram 399 vítimas no primeiro trimestre de 2026, um aumento de 7,55% em relação ao ano anterior e o pior índice em 11 anos.
O Brasil enfrenta um cenário alarmante de violência de gênero, com o registro de um novo recorde de feminicídios no primeiro trimestre de 2026. Dados divulgados nesta terça-feira, 05/05/2026, pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e pelo Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), apontam que entre janeiro e março o país contabilizou 399 vítimas. Este número representa um aumento de 7,55% em comparação com o mesmo período do ano anterior, consolidando o primeiro trimestre de 2026 como o mais letal para mulheres nos últimos 11 anos, desde o início da série histórica em 2015. A persistência dessa violência expõe a urgência de políticas eficazes para proteger vidas e garantir a dignidade de cada mulher.
A escalada da violência contra a mulher atinge patamares preocupantes, refletindo uma realidade em que a média diária de vítimas se mantém em torno de quatro mortes, um número que permaneceu inalterado em relação ao ano passado. Desde 2015, quando o Sinesp começou a compilar esses dados, o incremento no número de casos é de aproximadamente 219%, saltando de 125 para as atuais 399 vítimas no trimestre. Em um levantamento detalhado, foram 142 vítimas em janeiro, 123 em fevereiro e 134 em março.
Este cenário de dor e perda sucede um 2025 que já havia sido o ano mais violento para mulheres, com um total de 1.470 feminicídios registrados. Os números de 2026 superam os 1.464 casos de 2024, consolidando uma tendência de crescimento de 0,41% anualmente na violência que ceifa vidas de mulheres em contextos domésticos, familiares ou motivados por misoginia.
A geografia da violência
No panorama nacional, São Paulo assume a liderança trágica, com 86 registros de feminicídios no primeiro trimestre de 2026. O estado vivencia seu maior índice para o período desde 2018, representando um aumento de 41% em relação aos 61 casos contabilizados no primeiro trimestre de 2025.
Outros estados também apresentam números alarmantes: Minas Gerais registrou 42 casos; o Paraná, 33; a Bahia, 25; e o Rio Grande do Sul, 24. Apenas Acre e Roraima se destacaram por não reportarem casos de feminicídio neste período, segundo os dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública.
A necessidade de ações coordenadas e efetivas para combater a violência contra a mulher e garantir a segurança e a vida é cada vez mais evidente diante desses indicadores.
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