JUROS ALTOS ATRASAM AVANÇO

Ministro Dario Durigan aponta juros altos como gargalo da economia brasileira

Ministro da Fazenda Dario Durigan em pronunciamento
Ministro da Fazenda fala sobre operação contra brasileiros sancionados pelos EU

Ministro da Fazenda, Dario Durigan, declara que taxa elevada prejudica investimentos privados e eleva dívida pública, mas defende ajustes fiscais para estabilidade econômica. Banco Central busca conter inflação com política monetária.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta semana que a taxa de juros elevada é o principal obstáculo para o desenvolvimento econômico do Brasil. Segundo ele, este é o fator que mais prejudica os investimentos do setor privado e pressiona a dívida pública brasileira, que atualmente representa 81,4% do Produto Interno Bruto (PIB).

Durigan explicou que a taxa de juros corrige uma parcela significativa da dívida pública, de modo que seu aumento resulta em maior endividamento. Ele declarou que, embora o debate fiscal seja importante para a definição da taxa de juros, ele não é a única solução para o problema, classificando-o como a "resposta fácil".

O ministro ressaltou que a responsabilidade pela taxa de juros é minimamente do Ministério da Fazenda, indicando que a discussão deve se concentrar nas razões pelas quais a taxa se mantém em patamar elevado. Ele defendeu a necessidade de harmonizar a estratégia de receitas e gastos públicos com a política monetária conduzida pelo Banco Central (BC) para o controle da inflação.

Para economistas, no entanto, a falta de alinhamento entre a política de gastos do governo e a definição da taxa de juros pelo BC dificulta o controle inflacionário. Essa divergência é comparada a dois remadores puxando um barco em direções opostas, com o governo estimulando a economia e o BC tentando freá-la.

O Banco Central, por sua vez, justifica sua atuação sobre a taxa de juros como reativa ao cenário econômico. A instituição explica que, diante de um aumento de despesas e crédito que estimulam a atividade econômica e pressionam as projeções de inflação, uma política de juros mais rigorosa se torna necessária.

Analistas apontam que as expectativas do mercado para gastos públicos e atividade econômica, fatores que influenciam a inflação, refletem-se na curva de juros. O ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, já associou a alta taxa de juros ao elevado endividamento, argumentando que a dívida é alta porque o país está endividado, e não o contrário.

O mercado financeiro tem criticado a estratégia governamental de aumentar impostos concomitantemente ao aumento de gastos, defendendo maior foco em cortes de despesas para que a queda dos juros seja sustentável e a dívida pública seja contida. Sobre a concessão de linhas de crédito com taxas favorecidas, Durigan avaliou que o impacto macroeconômico dessas ações setoriais pontuais é mínimo no contexto do mercado de crédito brasileiro.

O ministro da Fazenda confirmou que o governo implementará o ajuste fiscal necessário nos próximos anos, por meio de contenção de gastos e redução de benefícios fiscais, para atingir as metas de superávit primário estabelecidas. As metas fiscais preveem um resultado positivo de 0,5% do PIB em 2027, chegando a 1,5% em 2030, com margens de tolerância e exceções para gastos específicos.

Durigan defendeu um esforço fiscal contínuo e a manutenção do arcabouço fiscal, apesar da previsão de redução do espaço discricionário para gastos livres. Ele reconheceu a necessidade de reverter o crescimento de gastos obrigatórios para garantir a sustentabilidade da regra fiscal, que limita o crescimento anual dos gastos a 2,5% acima da inflação.

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