ELEIÇÕES SOB RISCO

Ministra Cármen Lúcia alerta sobre abuso tecnológico e risco da IA às eleições

Ministra Cármen Lúcia em evento sobre tecnologia.
Ministra Cármen Lúcia participou do Congresso Brasileiro da Internet em Brasília.

Ministra do STF, Cármen Lúcia, participou do Congresso Brasileiro da Internet e destacou os perigos da Inteligência Artificial para a democracia e a autonomia do eleitor.

A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), manifestou profunda preocupação com os impactos do abuso tecnológico e o avanço da Inteligência Artificial (IA) no processo eleitoral brasileiro e na democracia. A declaração ocorreu nesta terça-feira, 9 de junho de 2026, durante sua participação na sexta edição do Congresso Brasileiro da Internet (CBI), em Brasília. A magistrada ressaltou que a preocupação se estende a tribunais constitucionais em todo o mundo, alertando para o risco de a sociedade se tornar refém das máquinas, em vez de utilizá-las a seu favor. "A máquina serve ao ser humano e não o ser humano que tem de servir à máquina", afirmou.

Em seu pronunciamento, Cármen Lúcia enfatizou os perigos específicos da IA no contexto eleitoral. A combinação de grande volume de dados, velocidade de disseminação, diversidade de conteúdos e alto potencial de viralização cria um ambiente que dificulta a verificação de fatos e ameaça diretamente a liberdade de escolha dos eleitores. "A Inteligência Artificial cria situações que são verossímeis, mas não são verdadeiras", alertou a ministra, que participou do evento de forma remota.

A ministra lamentou que as tecnologias atuais possam restringir a liberdade individual. "Nós estamos sendo tragados por tecnologias que nos levam quase que para dentro de espaços nos quais a nossa liberdade está sendo algemada, restringida, limitada, por um mau uso da parte de todos nós mesmos", declarou.

A preocupação com a desinformação em processos eleitorais não é recente. Cármen Lúcia relembrou que, em 2022, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já demonstrava um cuidado "muito responsável" com o uso dessas tecnologias. Naquele ano, o foco era maior nas redes sociais, que frequentemente disseminavam informações falsas, contrariando diretamente a Constituição brasileira. A Carta Magna assegura o direito à informação livre, fundamental para que os cidadãos possam adquirir conhecimento sobre fatos históricos e presentes, permitindo projetar criticamente suas opções para o futuro.

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