CORRUPÇÃO NO ESTADO
Ministério Público prende delegado e procurador por desvio de R$ 86 milhões no Rio
Operação mira esquema de fraude em licitações dentro do Instituto Rio Metrópole; Justiça determinou o afastamento dos servidores e sequestro de bens.
O Ministério Público do Rio deflagrou uma operação para prender agentes públicos acusados de desviar R$ 86 milhões dos cofres estaduais, em ação realizada nesta sexta-feira, 10/07/2026. A decisão, baseada em investigação iniciada em janeiro de 2026, mira o núcleo de gestão do Instituto Rio Metrópole, órgão responsável pelo desenvolvimento urbano da Região Metropolitana.
Entre os detidos estão um delegado da Polícia Civil, um procurador do estado e o presidente do Instituto Rio Metrópole. De acordo com o Ministério Público, a estrutura criada em 2018 para gerir transportes e saneamento foi cooptada por uma organização criminosa que fraudava licitações. Em trecho contundente da decisão judicial, o magistrado destacou a gravidade do cenário: 'O estado do Rio chegou ao fundo do poço e descobriu que ainda havia uma caixa de gordura'.
O esquema veio à tona após denúncia de movimentações financeiras atípicas envolvendo Caroline Soares Barros. Apontada como operadora do grupo, ela teria realizado 13 saques em espécie, totalizando R$ 3 milhões, utilizando escolta armada — serviço que contaria com o apoio do delegado Franquis Dias Nepomuceno. A investigação também aponta a participação do procurador do estado Marcelo Lopes da Silva e do presidente do instituto, Davi Perini Vermelho.
Além das prisões, a Justiça determinou o afastamento imediato dos envolvidos de suas funções públicas e o sequestro de seus bens. Os investigados respondem por organização criminosa, corrupção passiva, lavagem de dinheiro e fraude em processos licitatórios. O procurador-geral de Justiça do RJ, Antônio José Campos Moreira, lamentou o impacto direto dessas ações na precarização dos serviços prestados à população.
O governo do Rio informou que colabora integralmente com as autoridades no combate à corrupção. A defesa do procurador Marcelo Lopes da Silva alegou que o servidor atuou estritamente dentro da legalidade na emissão de pareceres, negando a assinatura de contratos irregulares.
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