FRAUDE ELEITORAL INVESTIGADA
Ministério Público aponta esquema de pesquisas fraudulentas em favor de Álvaro Dias
O MPE identificou irregularidades sistemáticas em sete levantamentos que colocaram o candidato do PL na liderança da disputa pelo Governo do Rio Grande do Norte.
O Ministério Público Eleitoral (MPE) identificou indícios contundentes de um esquema organizado voltado à produção e divulgação de pesquisas fraudulentas. A conclusão, formalizada em parecer na sexta-feira (28/08), aponta que as irregularidades visavam favorecer Álvaro Dias (PL) na corrida pelo Governo do Rio Grande do Norte, distorcendo a realidade e comprometendo a soberania do eleitor.
Assinado pelo procurador eleitoral auxiliar Kleber Martins de Araújo, o documento destaca que as falhas não foram isoladas. Ao analisar levantamentos registrados entre abril e julho, o órgão detectou a reincidência de erros metodológicos, a presença constante dos mesmos profissionais e conexões suspeitas entre institutos e empresas contratantes.
O foco das investigações recai sobre sete pesquisas favoráveis a Álvaro Dias. Segundo o MPE, todas apresentaram inconsistências graves, envolvendo os institutos Veritá, PNH/Affare, Consult, Ipsensus e Média. O parecer reforça a necessidade de uma apuração em amplitude máxima para proteger a integridade do processo democrático.
Irregularidades técnicas na Média
Um dos casos centrais refere-se à pesquisa RN-08092/2026, realizada pelo instituto Média. O parecer aponta que 22,5% das entrevistas foram realizadas antes do período registrado na Justiça Eleitoral. Além disso, o cruzamento de dados de GPS revelou que a distribuição geográfica era fictícia: as entrevistas supostamente coletadas em Natal foram registradas em Ielmo Marinho, Santana do Matos e Lajes, com distâncias incompatíveis com a realidade.
O MPE também apontou padrões estatísticos impossíveis, como a coincidência exata da distribuição de renda dos entrevistados com o plano amostral — um evento com probabilidade de ocorrência de uma em 10,8 bilhões. Para a Procuradoria, os dados sugerem a fabricação de horários e a automatização do preenchimento, simulando uma coleta de campo que, na prática, não aconteceu.
Paralelamente à esfera cível, o procurador encaminhou uma notícia-crime para apuração penal. O MPE sugere que as condutas podem configurar crimes de divulgação de pesquisa fraudulenta, embaraço à fiscalização e falsidade ideológica eleitoral. As empresas contestam as acusações, alegando regularidade nos serviços. O parecer, que ainda será analisado pela Justiça Eleitoral, não constitui condenação definitiva e cabe recurso por parte dos envolvidos.
Gostou desta notícia?
Entre no nosso grupo do WhatsApp!
Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!
📲 Quero entrar no grupo
Comentários (0)
Deixe seu comentário