GESTÃO FISCAL ESTATAL

Rio Grande do Norte lidera ranking nacional de alta em investimentos públicos

Fachada da Governadoria do Rio Grande do Norte, no Centro Administrativo do Estado
Fachada da Governadoria do Rio Grande do Norte, no Centro Administrativo do Estado, com palmeiras e a bandeira do Brasil — Foto: José Aldenir

Estado registra crescimento real de 300% no volume de investimentos no primeiro semestre, impulsionado por operações de crédito, mas mantém baixa taxa de execução em relação à receita total.

O Rio Grande do Norte alcançou a maior expansão de investimentos públicos entre os estados brasileiros no primeiro semestre de 2026. O desempenho foi consolidado entre janeiro e junho, período em que as despesas liquidadas atingiram R$ 620 milhões, representando uma alta real de 300% na comparação com o mesmo intervalo de 2025, conforme dados da consultoria Aequus.

Apesar da marca expressiva, o montante investido equivale a apenas 5% da receita total do Estado, a menor proporção registrada entre os entes do Nordeste. Esta métrica, fornecida pela Secretaria do Tesouro Nacional (STN), evidencia um cenário de dependência de recursos extraordinários: o governo estadual captou R$ 833,8 milhões em empréstimos no período, valor que supera o total investido e sinaliza o impacto das operações de crédito na viabilização das obras.

Grande parte desse aporte está vinculada ao Plano de Promoção do Equilíbrio Fiscal (PEF), programa que permitiu ao Rio Grande do Norte contratar financiamentos com garantia da União. Os recursos são destinados prioritariamente à recuperação da malha rodoviária, além de projetos de infraestrutura, saúde e educação — pilares da gestão da governadora Fátima Bezerra (PT).

Especialistas, contudo, apontam riscos de longo prazo para a saúde financeira. Gabriel Leal de Barros, economista-chefe da ARX Investimentos, destacou em análise ao Valor Econômico que a dependência de crédito pode comprometer orçamentos rígidos assim que findar o período de carência dos empréstimos. Esse alerta ganha peso no RN, onde o regime previdenciário registrou déficit de R$ 1,02 bilhão e a folha de pessoal segue pressionando as contas públicas.

O fenômeno de alta nos investimentos não é isolado ao Estado; no primeiro semestre, 22 das 26 unidades da federação analisadas elevaram seus gastos, totalizando R$ 42,9 bilhões em investimentos em âmbito nacional. O avanço foi possível pela melhora na Capacidade de Pagamento (Capag), que facilitou o acesso ao crédito, embora o desafio de sustentar essa trajetória diante dos compromissos futuros de dívida permaneça como uma preocupação central para a gestão fiscal.

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